Lorene Pedrosa

Atualizada às 18h45

Membros do Ministério Público que atuam em Formiga,  do Ministério Público de Contas, do Grupo Especial de Promotores de Justiça de Defesa do Patrimônio Público do Estado de Minas Gerais (Gepp) desencadearam nessa terça-feira (29) a operação Capitanias Hereditárias.

Milhares de documentos, computadores e telefones pessoais e corporativos foram apreendidos na ação que contou ainda com homens da Polícia Militar e da Polícia Civil que deram suporte durante o cumprimento de 19 mandados de busca e apreensão cumpridos em Formiga e um na cidade de Piumhi.

As ações ocorreram na Câmara Municipal, nos gabinetes dos vereadores Josino Bernardes de Castro, Rosemeire Ribeiro de Mendonça (Meirinha) e José Aparecido Monteiro (Zezinho Gaiola), nas secretarias de Saúde, Gestão Ambiental, no Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) e na Prefeitura nos setores de Licitação e Ouvidoria e nas casas dos citados.

De acordo com o promotor Ângelo Ansanelli Junior, as investigações estão sendo realizadas desde  abril do ano passado e levaram no momento, ao afastamento dos três vereadores citados, de dois secretários, de um funcionário de carreira, e o Ouvidor.

Os crimes investigados são: Corrupção, superfaturamento em licitações e peculato.

O próximo passo será analisar os documentos apreendidos e ouvir as testemunhas e não há um prazo para a conclusão dessa etapa.

Um dos citados na investigação acabou sendo preso, porém a detenção não está ligada à operação: o secretário de Administração e chefe de Gabinete, detido após encontrarem na casa dele em Piumhi uma arma de fogo sem registro.

Chegaram informações ainda, sobre a prisão do vereador Josino Bernardes de Castro por desacato, mas segundo o próprio Josino, que entrou em contato com a redação do jornal por volta das 18h30, as informações não procedem.

A operação foi chefiada em Formiga pelos promotores Ângelo Ansanelli Junior, Clarissa Gobbo dos Santos, Luciana Imaculada de Paula, Lucas Silva e Greco e Luciano Moreira de Oliveira do Gepp.

 

Na Prefeitura

Sobre a operação, a Prefeitura se manifestou por meio da Secretaria de Comunicação, informando que estão sendo fornecidos todos os documentos e informações solicitados pelas autoridades e que todos aguardam a conclusão dos trabalhos e esperam que tudo ocorra da melhor maneira possível.

Suplentes

Após o afastamento dos três vereadores, deverão assumir as cadeiras do Legislativo os suplentes: Fernando Estevão no lugar de Zezinho Gaiola (a suplente seria Débora Brás, mas ela se desfiliou do PSDB no dia 12 de junho de 2015)), Rogério Alves de Oliveira – Rogerinho do Fórum no lugar da Meirinha  e Flávio Santos do Couto no lugar de Josino.

(Foto: Arquivo UN)

Capitanias Hereditárias

O nome da operação foi escolhido devido às investigações que levaram à fortes suspeitas de que a área rural da cidade (comunidades rurais), teriam sido divididas, sendo que cada “território” estava à cargo de um dos vereadores citados, e somente a pedido deles, a Prefeitura executava os serviços devidos e os pedidos feitos pela população.

O assunto foi matéria exclusiva do jornal Nova Imprensa em julho de 2013, quando o jornal tornou público  um papel encontrado em um dos caminhões da Secretaria de Obras, que apresentava a zona rural do município  dividida em regiões, distribuindo aos vereadores Zezinho Gaiola, Josino Bernardes, Piruca e Meirinha, as localidades que seriam atendidas pela Patrulha Mecanizada (recuperação e manutenção de estradas). Apesar de ser citado na matéria, nenhuma investigação apontou irregularidades na conduta do vereador Evandro Donizeth da Cunha (Piruca), que hoje preside o Legislativo.

(Fotos: Lorene Pedrosa e Paulo Pacheco)

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