Uma operação da Polícia Civil do RJ no Jacarezinho, na Zona Norte do Rio, nesta quinta-feira (6), se tornou a mais letal da história fluminense: 25 pessoas morreram. Moradores denunciaram, em vídeos publicados em redes sociais e em relatos à Defensoria Pública, que suspeitos foram executados durante a operação, mesmo tendo se rendido. A polícia nega qualquer irregularidade.

Veja o que se sabe e o que ainda falta esclarecer.

O que a polícia foi fazer no Jacarezinho?

Agentes de diferentes delegacias, com apoio da Core, a tropa de elite da Polícia Civil, deflagraram a Operação Exceptis. A força-tarefa investiga o aliciamento de crianças e adolescentes para ações criminosas, como assassinatos, roubos e até sequestros de trens da Supervia.

A polícia afirma que o tráfico da região adota táticas de guerrilha, com armas pesadas e “soldados fardados”.

O que dizem os moradores?

Em vídeos publicados em redes sociais e em relatos à Defensoria Pública, testemunhas afirmam que suspeitos foram executados.

Uma moradora filmou um policial e disse que o suspeito queria se entregar. A mulher acusou os agentes de tentar “encurralar” moradores para evitar que eles chegassem até o local onde supostamente o homem teria se rendido.

O advogado Rodrigo Mondego, da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil no RJ (OAB-RJ), contou que uma pessoa que vivia na casa foi para uma área externa, após a invasão. A testemunha relatou ter ouvido de policiais da Core que ficasse fora de casa, enquanto os policiais estavam no local.

“Ela ficou nervosa, e a polícia disse pra ela ficar do lado de fora. Ela ouviu gritos, e, em seguida, os tiros”, contou Mondego.

Outra denúncia de moradores do Jacarezinho envolve a imagem de um homem morto em uma cadeira de plástico, numa das vielas da comunidade, com um dedo na boca.

Ao ser questionado sobre a imagem durante a coletiva de imprensa na Cidade da Polícia, o delegado Fabrício de Oliveira, coordenador da Core e que participou da operação, confirmou que a imagem era de um dos mortos na favela, mas que as circunstâncias em que ela foi feita vão ser apuradas.

“Quando a polícia acessou, alguns criminosos foram encontrados já mortos. Caso está sob investigação e em breve a polícia vai dar mais detalhes dobre a dinâmica do que aconteceu”, disse.

Quem são os mortos?

Até a última atualização da reportagem do G1, apenas um deles tinha sido identificado: o policial civil André Leonardo de Mello Frias, de 48 anos, atingido na cabeça no início da operação.

Os demais seguiam sem identificação, mas, segundo o delegado Felipe Curi, os 24 eram “todos criminosos”. “Não tem suspeito, é criminoso, bandido, traficante e homicida porque tentaram matar os policiais”, afirmou.

A polícia também não esclareceu as circunstâncias em que foram mortos.

Quantos foram presos?

O delegado Felipe Curi informou que seis pessoas foram presas: três com mandado de prisão e três em flagrante. Outros três procurados foram mortos.

A polícia tinha falado em 21 criminosos identificados em escutas autorizadas pela Justiça, mas não esclareceu se contra todos foram expedidos mandados de prisão.

O que foi apreendido?

Um balanço divulgado às 17h de quinta-feira listava:

  • 16 pistolas
  • 6 fuzis
  • 12 granadas
  • 1 submetralhadora
  • 1 escopeta

Também foram apreendidos drogas e rádios.

A operação foi autorizada?

A polícia garantiu que cumpriu todos os protocolos exigidos por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). O Ministério Público confirmou que foi avisado.

No ano passado, o STF determinou regras para operações policiais em comunidades — incursões de rotina estão proibidas. Pela decisão do ministro Edson Fachin, as ações só seriam permitidas de maneira excepcional.

“Decisão do STF não impede a polícia de fazer o dever de casa. Ela coloca protocolos, e a Polícia Civil cumpre todos”, disse o delegado Rodrigo Oliveira.

“Não sei se as grandes operações dão resultado. O que eu sei é que a falta de operação dá um péssimo resultado”, emendou Oliveira.

Fonte: G1

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