A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (27) a Operação Sufrágio Ostentação 2ª fase em Ipatinga e Aimorés, na região Leste de Minas Gerais, e também em Brasília. Ela investiga suspeitos de envolvimento no esquema de laranjas relacionado a candidaturas do PSL em MG durante as eleições de 2018.

Três pessoas foram presas – Mateus Von Rondon, atual assessor especial do ministro do Turismo Marcelo Álvaro Antônio (PSL), Roberto Silva Soares, atual primeiro-secretário do diretório do PSL em Minas e um dos coordenadores de campanha do ministro à Câmara dos Deputados no ano passado, e Haissander Souza de Paula, ex-assessor de gabinete de Marcelo Álvaro Antônio.

De acordo com as investigações, o partido teria repassado recursos de financiamento de campanha de forma irregular. As quatro suspeitasteriam sido usadas para desviar dinheiro do fundo eleitoral.

Segundo a Polícia Federal, elas tiveram votações pouco expressivas, embora tenham recebido dinheiro da sigla, o que levantou a suspeita de uso de candidaturas-laranja.

Desde fevereiro deste ano, a Justiça de Minas Gerais apura supostas irregularidades.

As prisões

Mateus von Rondon, atual assessor especial do ministro do Turismo Marcelo Álvaro Antônio (PSL), foi preso em Brasília. Já Roberto Silva Soares, conhecido como Robertinho, um dos coordenadores da campanha do ministro a deputado federal, foi detido em Ipatinga. Haissander Souza de Paula se entregou à Polícia Federal em Governador Valadares, também no Leste do estado.

Três mandados de prisão temporária e três mandados de busca e apreensão foram expedidos pela Justiça. Os suspeitos são investigados pelos crimes falsidade ideológica eleitoral, emprego ilícito do fundo eleitoral e associação criminosa.

Investigados

Mateus Von Rondon foi preso na Operação da PF em Minas Gerais — Foto: Reprodução

Mateus Von Rondon era consultor do gabinete do então deputado federal Marcelo Álvaro Antônio. Hoje ele é assessor especial do ministro do Turismo. Mateus foi nomeado no dia 23 de janeiro de 2019. A empresa dele aparece na prestação de contas de quatro candidatas a deputada estadual e federal suspeitas de terem sido usadas como laranjas pelo PSL em Minas Gerais.

As suspeitas declararam ter pago a quantia de R$32 mil à empresa de Mateus Von Rondon. de acordo com a PF, ao que tudo indica, o estabelecimento foi criado para esta finalidade, pois foi fechada logo após o fim das eleições.

Roberto Silva Soares, conhecido como Robertinho, é ex-assessor do gabinete de Marcelo Álvaro Antônio na Câmara dos Deputados. Atualmente ele é primeiro-secretário do diretório do PSL em Minas Gerais. De acordo com as investigações da PF, ele era encarregado de fazer as negociações de devoluções de quantias pelas candidatas suspeitas.

Além disso, o irmão dele, Reginaldo Donizete Soares, é sócio de duas empresas que figuram como prestadoras de serviços eleitorais às candidatas suspeitas. Ainda de acordo com a PF, uma delas não funcionava há pelo menos dois anos, mas de acordo com informações disponibilizadas pelo TSE, as duas empresas teriam recebido R$ 44,9 mil de duas candidatas suspeitas de serem laranjas.

Haissander Souza de Paula é ex-assessor de gabinete de Marcelo Álvaro Antônio. De acordo com as investigações da PF, ele também cobrava das candidatas suspeitas a devolução de verba pública de campanha para destiná-la a uma empresa ligada a outro assessor político, que seria a gráfica do irmão de Robertinho Soares, Reginaldo.

Operação desta quinta

Policiais chegaram por volta de 5h40 na residência do assessor, em Brasília. Ele foi encaminhado para a superintendência da Polícia Federal em Brasília por volta das 7h40.

A PF deflagrou a operação em Aimorés e Ipatinga, na Região do Vale do Rio Doce, e em Brasília. Chamada de Sufrágio Ostentação, a ação cumpre mandados de busca e apreensão e de prisão temporária.

Os suspeitos são investigados pelos crimes de falsidade ideológica eleitoral, emprego ilícito do fundo eleitoral e associação criminosa.

O que dizem os citados

O Ministério do Turismo disse que “é importante esclarecer que não há qualquer relação entre a investigação da Polícia Federal e as funções desempenhadas pelo assessor especial Mateus Von Rondon no Ministério do Turismo. O órgão aguarda mais informações para se pronunciar sobre o caso”.

O PSL divulgou nota dizendo que as contas de campanha foram aprovadas pelo TSE e que “tudo foi feito dentro da legalidade”. “Todos os partidos políticos do Brasil tiveram candidatas cujo resultado nas urnas foi aquém da expectativa. Só podemos classificar essa como uma investigação seletiva, com o objetivo de atingir o partido ao qual o Presidente da República é filiado, embora ele não tenha nada a ver com isso.”

Como surgiram as investigações

O caso veio à tona com uma reportagem do jornal “Folha de S.Paulo”, em fevereiro, que apontou que o atual ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, direcionou R$ 279 mil a quatro candidatas no estado que são suspeitas de serem laranjas. Durante as eleições de 2018, ele era o presidente do PSL no estado.

Outra reportagem, no mesmo mês, dizia que uma candidata a deputada federal do PSL em Pernambuco recebeu R$ 400 mil do partido e obteve apenas 274 votos.

O PSL é o partido do presidente Jair Bolsonaro, e o presidente da sigla nas últimas eleições, Gustavo Bebianno, chegou a ser nomeado seu ministro-chefe da Casa Civil. Desgastado pelo caso e envolvido em outras polêmicas com a família Bolsonaro, Bebianno deixou o cargo em 18 de fevereiro.

Prestação de contas

Na quarta-feira (26), o Jornal Nacional descobriu um novo tipo de irregularidade em prestação de contas de candidatos do PSL. Pessoas foram usadas como laranjas para simular doações de dinheiro e de prestação de serviços, movimentando dinheiro de origem desconhecida.

 

Fonte: G1||

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