A artesã Alzira Maria Martins, de 58 anos, foi comprar ovos em um sacolão de Contagem, na região metropolitana de BH, mas desistiu por causa do valor cobrado. “Está tudo muito caro, o ovo principalmente. Vendem por R$ 12,99 um pente com 20 ovos. São dez ovos a menos (que o pente tradicional), e a qualidade também não é a mesma. Eu me sinto refém”, lamentou.

Consumidores sentem no bolso o peso das mudanças do preço do ovo, item mais procurado durante a Quaresma. Não há para onde correr: nos quatro estabelecimentos que a reportagem do portal O Tempo visitou na região metropolitana, o valor cobrado pelo pente com 30 ovos variava de R$ 14,98, no bairro Carlos Prates, na região Noroeste de BH, a R$ 17,39, no bairro Cabral, em Contagem. 

“Se a maioria fizesse isso de não comprar, talvez os preços caíssem. E o consumidor vai fazer o quê? Ou não come, ou compra caro”, afirmou a artesã. Alzira, que mora com o marido e o filho, prioriza o frango no cardápio e, quando pode, substitui alimentos para economizar. “Ter ovo em casa faz a diferença não só para comer puro, mas em um bolo, tapioca”, exemplifica. 

E se engana quem pensa que, após a Quaresma, os preços vão cair. “O consumidor já tem comprado mais ovos desde que o preço da carne subiu bastante. A não ser que tenha uma produção maior, o preço dos ovos não vai cair”, prevê Feliciano Abreu, do site Mercado Mineiro.

Como economizar?

Na casa da aposentada Divina Maria Gomes de Amorim, de 63 anos, ela e o filho ainda não cortaram o ovo da lista de compras. “No jantar, posso fazer omelete, uma coisa qualquer. Antes, tinha aquilo de comprar picanha, mas isso acabou. Nessa idade, com 63 anos, parece que estou vivendo em outro mundo. O preço subiu, mas ainda consigo comprar ovos”, afirmou.

A reclamação da alta dos preços chega aos funcionários dos estabelecimentos. Natanael Pereira Santos trabalha em um sacolão de Contagem e lida com a insatisfação de clientes quando o preço de algum produto sobe. “Eles chegam, falam que, antigamente, o ovo não era artigo de luxo e agora virou. Mas a gente vai conversando com os clientes, tentando explicar o que está acontecendo. Muitos reclamam, mas levam, porque não acham um preço melhor em outros lugares”, disse.

Josiane Mendonça trabalha no setor de sacolões e supermercados há cerca de dez anos e, há menos de um ano, é frente de caixa em um estabelecimento da capital. “Acho que ocorreu o aumento nos preços por causa da pandemia. Os clientes questionam, mas eles mesmo já respondem dizendo que não é culpa da gente, mas do momento que o país passa”, contou.

Dicas:

– Pesquise preços;
– Fique de olho nas ofertas;
– Compartilhe informações com familiares e amigos;
– Não compre no primeiro lugar aonde for. 
(Fonte: Feliciano Abreu, do Mercado Mineiro)

A velha relação oferta x procura
A oferta menor de ovos impacta o valor do produto final, segundo o diretor do site Mercado Mineiro, Feliciano Abreu. “Neste período de Quaresma, em que aumenta o consumo de ovos, as galinhas poedeiras reduzem a produção. O preço das carnes tem batido recorde, e o consumidor, até mesmo aquele que não segue a Quaresma, tem optado pelos ovos, escolha ainda mais barata (que as carnes)”, detalhou. 

Para os atacadistas do setor, o aumento dos preços também está ligado à cadeia produtiva. “Tudo gera custos. Teve o aumento da gasolina, a falta de embalagem, o aumento (do preço) da ração e do milho”, detalhou Luciano Afonso Pereira da Silva, um dos responsáveis por um box de ovos na Ceasaminas. 

Rogério Rodrigues, que também tem loja no local, concorda que o custo com a produção causa oscilação no preço. “A soja e o milho estão caros. O produtor não deixa de passar (esse custo) ao consumidor”, explicou.


Até o carro do ovo mudou 
Segundo consumidores, não está valendo a pena comprar ovos nem naquele “carro do ovo” que passava a qualquer dia e hora em muitas ruas, vendendo um pente do produto por R$ 10. “Antes, tinha aquilo de comprar 30 ovos por R$ 10 (no carro do ovo), mas, ultimamente, ele passa vendendo a R$ 12 lá em casa. O valor da aposentadoria é o mesmo, mas tudo subiu”, desabafou o aposentado Isaías Pantaleão, de 88 anos, morador de Contagem.

Fonte: O Tempo Online

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