As falas dos homens públicos são recebidas com descrença. São avaliadas para saber onde está a verdade e a mentira, onde está a informação de utilidade pública e onde inicia o interesse de manipulação ou ocultação (em nome do interesse público de evitar o pânico). Por exemplo, rumores de falta de combustível podem gerar filas nos postos de combustíveis e agravar a situação.

Por sua vez, os cidadãos sempre confiaram estar os homens públicos trabalhando para solucionar e minimizar os problemas, seja na economia, na segurança, na saúde, etc.

Infelizmente, o atual governo quebrou essas crenças ao mentir, em prol do interesse próprio, e ao se omitir para solucionar os problemas.

Primeiro, maximizou o número de mentiras (fake news), muitas propaladas pelo presidente em seus pronunciamentos, públicos e nas redes sociais, com o intuito de gerar polêmicas e causar engajamentos junto ao público digital.

Segundo, por não agir para usar as melhores técnicas para solucionar o problema e, pior, por muitas vezes não fazer nada.

Bolsonaro foi eleito com a ajuda da situação catastrófica (econômica, política e de corrupção), mas também foi auxiliado pelas fake news nas redes sociais e pela comoção gerada pela facada recebida no dia 06.09.2018.

Nesse momento de graves crises (sanitárias, econômicas, sociais, etc.), precisávamos ter toda a máquina pública funcionando a serviço do povo, mas temos a execução de ações para desconstruir o aparato estatal.

O Brasil tem um Sistema Único de Saúde (SUS), estruturado em todo o território nacional, e um Plano Nacional de Imunização (PNI), reconhecido mundialmente por sua capacidade de executar políticas nacionais de imunização.

O governo abriu mão da coordenação nacional do SUS e do PNI e os deixou a cargo dos municípios e Estados. Criou um Gabinete Paralelo de enfrentamento da pandemia do coronavírus, sem a participação dos órgãos estatais e profissionais de saúde, formado por pessoas sem conhecimento específico (assessores, empresários, deputados, etc.) e, lógico, agiram como aduladores, com aprovação dos atos do presidente (até encorajando-o a se manter no caminho equivocado e errado).

O gabinete corroborou no combate à pandemia o uso da aludida imunização de rebanho. Nela, houve o incentivo ao desrespeito a medidas preventivas (isolamento, máscaras, gel, etc.) e, em uma autêntica “roleta russa”, as pessoas ficaram expostas a viver ou não, colocando suas vidas em risco para alcançar a teórica imunização.

Dessa forma, perdeu-se tempo ao não agilizar a aquisição de vacinas e uso coordenado do SUS e PNI para vacinar, no menor tempo possível, o povo. Caso isso tivesse sido feito, hoje teríamos maior imunização segura, com menos morte que os cerca de 500 mil, já estaríamos com reabertura geral da economia, enfim, assistiríamos o planejamento das “fogueiras de máscaras” para a destruição de um dos símbolos da pandemia.

Euler Antônio Vespúcio – advogado tributarista

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