Os resultados positivos, com diminuição do número de infectados e de mortes, gerados pelo aumento da imunização no Brasil, assim como em outros países, não dão garantia para relaxamento total das medidas preventivas (uso de máscaras e gel, distanciamento social, etc.).

Atitudes pontuais, como a negativa de pessoas usarem máscaras em locais públicos ou mesmo estabelecimentos comerciais, assim como negativa de receber vacinas de fabricantes específicos, demonstram termos dificuldades para persistir na adoção de todas as frentes de enfrentamento para vencer a pandemia do coronavírus.

Casos concretos demonstram os vacinados não terem 100% de segurança de não serem reinfectados e até morrerem, apesar da vacinação ser a maior garantia de proteção contra o vírus, apesar de nenhuma medida, inclusive a vacina, não garantir proteção completa.

Somente quando tivermos com 100% da população completamente imunizada (com duas doses da vacina, exceto a Jansen que exige apenas uma dose) poderemos ter um completo relaxamento das medidas preventivas e protetivas.

A situação é agravada pelo fato do aparecimento de novas cepas mais contagiosas e com maior capacidade de disseminação, como a indiana Delta.

Então, até termos a imunização completa, temos de manter todas as medidas preventivas, evitando infecções e mortes, pois não é aceitável termos mais perdas de vidas precoces.

Os reflexos sociais no país causados pelo aumento do número de mortes no ano de 2020 e 2021 já são perceptíveis, como a perda de mão de obra especializada, em diversos ramos do conhecimento, e o aumento da oferta de imóveis à venda, por conta da abertura de inventários.

A decisão de gestores públicos pela flexibilização de medidas preventivas, apesar da pressão dos setores econômicos, deve ser ponderadas, dentro do estritamente possível, evitando termos novas disparadas dos números de infecções e mortes, agravando o sistema de saúde.

As dificuldades de enfrentamento da pandemia são comprovadas por países onde tiveram imunização da população, como no caso Israel, onde está sendo planejada a aplicação da terceira dose da vacina. Esse fato, também enfatiza as disparidades dos países, onde os desenvolvidos conseguem já ter imunizado mais da metade de suas populações, já planejam a aplicação da terceira dose, e muitos países pobres nem começaram a vacinar o seu povo.

O mundo hoje está totalmente integrado, economicamente e socialmente. Assim, dificuldades em outros países acendem o alerta para os demais. O aumento de casos de infecções na Europa e Estados Unidos, gerados pela variante Delta, deve fazer os demais países refletirem sobre suas políticas de enfrentamento do coronavírus.

Diante desse quadro é temeroso os agentes públicos e econômicos já fazerem planejamentos para festas de fim de ano, shows e eventos, pois se agirmos de forma afobada, precipitada e sem cuidado, podemos descobrir termos errado e, da pior maneira possível.

Euler Antônio Vespúcio – advogado tributarista

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