A crise econômica causada pela pandemia reduziu quase à metade o número de pequenos negócios no país. De acordo com relatório divulgado ontem pelo Sebrae, e elaborado pela Global Entrepreneurship Monitor (GEM), o total de empreendedores que se enquadram nessa modalidade, e com negócios ativos há pelo menos 3 anos e meio, saiu de 22,3 milhões, em 2019, para 12 milhões, no ano passado. 

A pesquisa mostra ainda que a taxa de empreendedorismo entre adultos caiu para 31,6% em 2020, ante 38,7% em 2019 – o que representa o menor patamar no quesito dos últimos 8 anos. Em Minas, somente nos quatro primeiros meses de 2021, 38.012 pequenos negócios fecharam as portas. O setor de serviços foi o que mais sofreu com a crise, somando 45,3% de todos os empreendimentos fechados.

Segundo o Sebrae Minas, se contabilizados os fechamentos entre maio de 2020 a abril deste ano, foram 109.948 pequenos negócios descontinuados. Desses, 71.302 eram Microempreendedores Individuais (MEI) ­- 64,85% do total. Em seguida, aparecem as microempresas (ME), com perda de 36.017 negócios (32,75%). Além disso, 2.649 Empresas de Pequeno Porte fecharam as portas no período. 

Efeitos

O maior índice de fechamento entre as MEI atinge diretamente a economia mineira. De acordo com o Sebrae Minas, essa modalidade representa 81,87% do contingente de Pequenos Negócios no Estado. 

De maio de 2020 a abril deste ano, em Minas, cerca de 110 mil MEI, micro e pequenas empresas fecharam.

Luander Falcão, analista da Unidade de Inteligência Empresarial da entidade, diz que o maior impacto nas MEI se explica pela natureza dos empreendimentos. “A maioria sofreu duro impacto de medidas que impuseram, por exemplo, o fechamento das atividades comerciais. Muitas MEI se viram impedidos de trabalhar do dia para a noite e acabaram ‘morrendo’”, explica o analista.

Por setores

Ainda em Minas, o setor de serviços foi o que mais registrou fechamentos de pequenos negócios na pandemia: 49.197, ou 44,75% do total. O comércio veio em seguida, com 37.144 empresas fechadas (33,78%). A Indústria teve 15.186 encerramentos (13,81%), à frente da Construção Civil com 7.414 (6,74%) e do setor Agropecuário, que teve 1.007 pequenos negócios encerrados (0,92%).

Entre as atividades que mais sofreram, a de bares e restaurantes lidera a lista. Segundo o Sebrae, 8.332 pararam de funcionar entre maio de 2020 a abril deste ano. 

Empresas ligadas ao comércio varejista de vestuários vieram na sequência, com 8.012 negócios encerrados. Depois, foram 4.407 pequenos negócios ligados a cabeleireiros e atividades de tratamento de beleza não funcionam mais. 

A confeiteira Adriene Silva empresta um rosto a tantos sonhos desfeitos durante a maior crise sanitária mundial de que se tem notícia. Após atuar de maneira informal na área por 15 anos, ela resolveu abrir uma doceria, em 2017. 

Com a pandemia, abandonou o negócio e teve de se reinventar, passando a ensinar o que sabe. “Foi uma reviravolta em minha vida, porque vi o projeto de uma vida ir embora. Agora, dou aulas sobre o que sempre fiz para conseguir me sustentar”, afirma Adriene.

Fonte: Hoje em Dia

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