O Peru resolveu retirar a concessão de um gasoduto avaliado em 7 bilhões de dólares, que havia entregue a um consórcio liderado pela brasileira Odebrecht, empresa que admitiu o pagamento de propinas, informou nesta segunda-feira o ministro de Energia e Minas, Gonzalo Tamayo.

“O projeto não sai com os atuais sócios. Não conseguiram demonstrar que têm financiamento. Este financiamento tinha que ser obtido da comunidade financeira internacional (…) Não foram capazes de levar adiante um projeto porque o sistema financeiro não acredita neles”, disse o ministro Tamayo à rádio RPP.

O encerramento antecipado do contrato será comunicado oficialmente nesta terça-feira (24), disse Tamayo. O prazo para que as construtoras demonstrem interesse em realizar a obra venceu nesta segunda-feira.

O consórcio integrado pela Odebrecht, pela espanhola Enagas e pela local Graña y Montero, já havia adiantado que a perda do contrato era iminente. Ele precisava de um empréstimo de aproximadamente 4 bilhões de dólares. A situação se complicou após o escândalo de corrupção envolvendo a empreiteira.

“Nós, acionistas e trabalhadores do projeto Gasoduto Sul Peruano, fizemos tudo o possível para que ele pudesse continuar, porque consideramos que é um projeto fundamental para a segurança energética do país”, disse a concessionária em um recente comunicado.

Para minimizar os danos, a Odebrecht – com 55% da participação -, deixou a liderança gerencial para Enagas e depois tentou vender a sua parte no consórcio, mas a operação não foi aprovada pelo governo.

A obra do gasoduto, que já estava relativamente suspensa, segundo o ministro, está adiantada em mais de 30% de avanço.

Até que a obra volte a ser licitada, o Peru contará com uma frota de caminhões para o transporte do gás.

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Fonte:

O Tempo