Mais da metade das grávidas brasileiras não tem certeza sobre a data do início da gestação. Para acabar com essa dúvida, pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) desenvolveram um aparelho para confirmar a idade gestacional de recém-nascidos. Uma informação fundamental no tratamento de bebês prematuros.

A dona de casa Ana Cristina achava que estava grávida de 36 semanas, do Bryan. Mas para o médico dela a contagem estava diferente, com três semanas a menos.

“Esse daqui eu tinha feito o ultrassom dele, mas o médico achou que ele estava mais novo ainda. Eu já estava no começo da pré-eclâmpsia e ele não tinha desenvolvido ainda e ele achou que estava com menos semana”, conta Ana Cristina Moreira.

Para tirar esse tipo de dúvida, os pesquisadores da faculdade de medicina da UFMG e do Hospital das Clínicas criaram esse aparelhinho que tem um sensor de led na ponta. Em contato com a pele do bebê é possível descobrir direitinho o tempo em que o recém-nascido ficou na barriga da mãe.

“Um pequeno sensor encosta na pele do recém-nascido e emite luz em comprimentos de ondas diferentes. Essa luz interage com a pele e a pele reflete a luz na medida da sua maturidade, da sua espessura, e refletindo a concentração de proteínas que existe naquela pele. O que nós fazemos é analisar o sinal que retorna em um algoritmo matemático e estimar a idade gestacional”, afirmou a coordenadora da pesquisa, Zilma Reis.

A dúvida da mãe do Bryan também passa pela cabeça de muitas mulheres. Um estudo feito pela Fiocruz aponta que em 55% dos nascimentos no Brasil não se sabe ao certo o tempo de gestação.

Algumas mulheres têm dificuldade para saber o tempo exato de gravidez por causa do ciclo menstrual irregular ou por terem demorado a começar o pré-natal. Informações que são decisivas no tratamento de bebês prematuros.

“A nutrição, se você faz diferente, de uma maneira distorcida para uma criança de 24 semanas ou 28 semanas já vai definir o prognóstico imediato dela. A mesma coisa em relação à assistência respiratória. Elas são diferentes dependendo da idade gestacional”, disse a neonatologista Maria Albertina Santiago.

O aparelho ainda está em teste, por isso o resultado do Bryan ainda não pode ser divulgado. As pesquisas continuam.

“A gente já está estudando um formado em caneta, no qual toda a tecnologia vai estar embarcada no bastão. Isso significa que a ponta do bastão toca a pele e todo o processamento é feito no interior. E um visor já irá informar a idade gestacional”, disse a coordenadora da pesquisa.

IMPRIMIR

Fonte:

G1