A pesquisa mensal do Bank of America (BofA) com gestores globais mostra que o nível de pessimismo subiu para o maior patamar desde a crise financeira de 2008. Essa deterioração do sentimento em junho se deve aos receios com a guerra comercial entre EUA e China e a possível ineficácia das políticas monetárias de grandes bancos centrais.

Dentro da pesquisa, o indicador sobre as expectativas de crescimento global teve uma queda recorde de 46 pontos porcentuais de maio para junho. Agora, 50% dos gestores esperam que a expansão mundial desacelere nos próximos 12 meses. Esse nível é consistente com os patamares observados nas recessões de 2008/2009 e de 2000/2001.

Para 87% dos entrevistados,maior porcentual já registrado na série histórica da pesquisa,o atual ciclo de expansão global está no estágio final.

Esse pessimismo com o crescimento global também levou os gestores a rever suas projeções para as taxas de juros no mundo. Agora, um saldo líquido de 32% dos entrevistados esperam que as taxas de curto prazo caiam nos próximos 12 meses. Em novembro do ano passado, o saldo líquido era de 89% prevendo alta dos juros.

Os gestores acreditam que o Federal Reserve deve começar a cortar novamente os juros se o índice acionário S&P 500 cair abaixo de 2.430 pontos. Atualmente, o índice roda perto de 2.900 pontos. Já uma queda para 2.350 pontos levaria o presidente dos EUA, Donald Trump, a buscar um acordo comercial amplo com os principais parceiros do país.

Em termos de alocação das suas carteiras, em junho houve um enorme movimento defensivo, com os gestores indo para empresas dos setores de consumo, serviços públicos, bônus ou deixando o dinheiro em caixa. Ao mesmo tempo, saíram dos setores de tecnologia, bancos, ações em geral e de ativos da zona do euro.

Atualmente, um porcentual líquido de 21% dos gestores dizem que estão subalocados (underweight) em ações, o pior nível desde março de 2009. Ao mesmo tempo, um saldo líquido de 22% está sobrealocado (overweight) em bônus, o patamar mais elevado desde setembro de 2011.

Um nível recorde de 60% dos gestores diz que o dólar está sobrevalorizado, enquanto 29% afirmam que o euro está subvalorizado, nível que só foi observado em março de 2017 e 2002.

Questionados sobre quais seriam os principais riscos de cauda – aqueles com baixa probabilidade de acontecer, mas que, se concretizados, teriam forte impacto -, 56% dos gestores citaram a guerra comercial. Nos últimos 16 meses, esse tema foi citado como principal risco em 14 deles.

A pesquisa do BofA ouviu 2.309 gestores, com um total de US$ 645 bilhões em ativos sob administração, entre os dias 7 e 13 de junho.

 

Fonte: G1||https://g1.globo.com/economia/noticia/2019/06/18/pessimismo-entre-gestores-globais-e-o-maior-desde-a-crise-de-2008.ghtml

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