O delegado da Polícia Federal (PF) Leopoldo Lacerda afirmou, na manhã desta quarta-feira (6), em coletiva na sede da PF, que R$4 milhões foram desviados do pagamento de bolsas de estágio e extensão na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). No entanto, segundo ele esse número tende a ser maior, já que outros tipos de desvios ainda estão em investigação.

“Cerca de R$4 milhões a gente tem comprovado que foram desviados para outras contas e projetos, dinheiro este que deveria ser destinado a bolsa de estágio e extensão. A gente pretende hoje com as buscas e apreensões identificar quais são essas contas e projetos. A gente tá investigando ainda o beneficiário final. Temos a conta de passagem que são da própria fundação e de desenvolvimento da pesquisa.”, explica o delegado.

O valor das bolsas para o projeto variam entre R$1.800 e R$ 8 mil. “Até o momento os bolsistas que não receberam a bolsa a gente trata como vítimas porque eles tiveram suas assinaturas falsificadas. A gente pretende intimá-los para ouvi-los”, diz. O delegado não soube explicar se eles trabalharam no projeto sem receber.

Lacerda não citou o nome dos presos, mas disse que o projeto sempre esteve a cargo da reitoria e vice-reitoria. “Os investigados são coordenadores do projeto da cúpula da universidade”, afirma. Eles podem responder por peculato desvio e formação de quadrilha.

Ainda segundo o delegado eles foram todos intimados coercitivamente para serem ouvidos ao mesmo tempo e isso ajudar nas investigações. “O projeto não foi concluído não só por má gestão, mas também por desvio de dinheiro público”. O projeto do Memorial da Anistia do Brasil é suportado em duas ações a primeira por meio da construção do museu e a segunda através da pesquisa de conteúdo e de produção de material  que seria exposto no museu. A construção começou em 2013 e a entrega deveria ter acontecido em 2015, porém até hoje ele não foi finalizado.

A investigação começou em março deste ano “a partir da visível obra inacabada do Museu da Anistia Política do Brasil, localizado no bairro Santo Antônio, em Belo Horizonte. E desde então fizemos contato com a CGU e com o TCU para ver se havia procedimento nesses órgão sobre as irregularidade. Nós nos deparamos que esses dois órgãos tinham informações graves a respeito de irregularidades que acontecia nesse projeto do memorial da Anistia no Brasil, dentre eles eu posso citar documentos que existia nitidamente com informações falsas, como assinatura de bolsistas e informações em documento suporte na prestação de contas que não condizia com a movimentação bancária que de fato aconteceu”, explicou o delegado.

Lacerda afirma que os próximos passos consistem em analisar os objetos apreendidos e principalmente os contratos de bolsistas e prestadores de serviço.

 

A operação 

 

Oito pessoas foram conduzidas coercitivamente pela Polícia Federal (PF) na madrugada desta quarta-feira (6) durante a operação “Esperança Equilibrista”, que apura a não execução e desvio de recursos públicos destinados à construção e implantação do Memorial da Anistia Política do Brasil, financiado pelo Ministério da Justiça e executado pela Universidade Federal de minas Gerais (UFMG). Entre os conduzidos, segundo informações recebidas por O TEMPO, estariam o reitor, Jaime Arturo Ramírez, e a vice-reitora Sandra Goulart Almeida.

Além dos mandados de condução coercitiva, a PF também cumpriu 11 mandados de busca e apreensão. Ao todo, participaram da ação 84 policiais federais, 15 auditores da Controladoria Geral da União (CGU) e dois do Tribunal de Contas da União (TCU). Os dois órgãos auxiliaram a PF desde o início das investigações. Após prestar depoimento, a vice-reitora deixou a unidade policial no fim da manhã desta quarta.

Ainda de acordo com a corporação, o Memorial foi idealizado em 2008 e visa a “preservação e a difusão da memória política dos períodos de repressão, contemplados pela atuação da Comissão da Anistia do Ministério da Justiça”. O local surgiu a partir da reforma do “Coleginho”, no bairro Santo Antônio, onde seria instalada uma exposição de longa duração de obras e materiais históricos. Também aconteceria a construção de dois prédios anexos e de uma praça de convivência.

Ao todo, segundo o levantamento do inquérito policial, já foram gastos mais de R$ 19 milhões na construção e pesquisas de conteúdo para a exposição, mas o único “produto aparente” é um dos prédios anexos à obra, que ainda está inacabado.

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Fonte:

O Tempo