Uma tentativa promissora para combater o Alzheimer foi feita por pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade Stanford, nos Estados Unidos. Em um ensaio clínico, ainda em fase inicial, eles realizaram infusões de sangue de doadores jovens em pessoas mais velhas com Alzheimer, apresentando níveis de leve a moderado. Após o procedimento, os pacientes que receberam a doação sanguínea tiveram melhoras em suas condições.

Os resultados foram divulgados no último dia 4, na 10ª Conferência Anual de Ensaios Clínicos sobre Doença de Alzheimer, em Boston, um dos maiores eventos mundiais na área, e estão na página da Universidade Stanford. As conclusões foram defendidas por Sharon Sha, principal pesquisadora e professora de ciências neurológicas da instituição.

Apesar dos resultados positivos, a princípio, Sharon Sha advertiu que estudos adicionais sobre um número maior de participantes serão necessários antes que conclusões sobre possíveis eficácias possam ser apontadas, diz no site da Universidade de Stanford.

Quem reforça essa posição é o neurologista Osvaldo Bramussi Pires, professor da Faculdade Ipemed, em Belo Horizonte. “Toda iniciativa é válida, mas precisamos continuar, de preferência, com um número muito maior de pacientes”, afirma.

A experiência foi feita com 18 pessoas, entre 56 e 84 anos, e teve duas etapas. Na primeira fase, nove participantes com doença de Alzheimer de leve a moderada receberam quatro infusões semanais do plasma (parte líquida do sangue, sem células) obtido a partir de doadores com idades entre 18 e 30 anos. Os outros receberam placebo (solução salina).

Após um intervalo de seis semanas, os regimes foram invertidos: aqueles que receberam plasma inicialmente tiveram quatro infusões semanais de placebo, e vice-versa. Nem os participantes, nem os que administraram as infusões sabiam qual das duas era fornecida.

Diversos testes e questionários, a fim de verificar o humor, a cognição e a capacidade funcional dos participantes, foram dados a eles e aos cuidadores antes e depois dos dois períodos de infusões. As respostas foram analisadas pelos pesquisadores, que observaram indícios sobre a melhora dos pacientes em testes de capacidade funcional na realização de tarefas básicas na vida diária independente, como se lembrar de tomar medicamentos, pagar contas e preparar as refeições.

A pesquisa teve como base outro estudo, de Tony Wyss-Coray, PhD, professor de ciências neurológicas de Stanford, cuja conclusão mostrou que fatores no sangue de ratos jovens podem rejuvenescer o tecido cerebral e melhorar o desempenho cognitivo em ratos idosos.

 

No mundo todo, estima-se que mais de 30 milhões pessoas tenham a doença de Alzheimer, de acordo com dados obtidos e divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

 

“Nosso entusiasmo em relação a essas descobertas acontece pelo fato de que esse foi um pequeno estudo”, diz Sharon Sha.


Teste com ratos sugere transmissão

Outro experimento feito com ratos em laboratório mostrou que o Alzheimer talvez possa ser transmitido pela transfusão de sangue. O estudo, publicado no último dia 1º na revista “Molecular Psychiatry”, sugere que um tipo de proteína produzido em todo o corpo é capaz de ultrapassar a barreira protetora do cérebro, provocando Alzheimer.

No experimento, Weihong Song, professor da Universidade da Colúmbia Britânica, em Vancouver, no Canadá, e coautor do estudo, conectou um camundongo sadio a outro que carregava um gene humano mutante que produzia altos níveis de beta-amiloide, fazendo com que os dois animais compartilhassem o sangue.

Segundo Song, após um ano, o camundongo normal “contraiu” a doença de Alzheimer pelo sangue carregado com a proteína do animal mutante.

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Fonte:

O Tempo