Em clima de absolvição, o plenário do Senado volta a se reunir nesta terça-feira (4) para votar pela segunda vez em menos de três meses um novo processo disciplinar contra o presidente licenciado da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL).
Desta vez, Renan é acusado de manter sociedade por meio de laranjas (intermediários) com o usineiro João Lyra em duas emissoras de rádio e em um jornal no Estado de Alagoas. A representação foi apresentada pelo Democratas e pelo PSDB. ?A absolvição será vergonhosa para a credibilidade do Senado?, disse o líder do DEM, José Agripino (RN).
A votação será secreta e a única mudança em relação ao primeiro processo, no dia 12 de setembro e que resultou a absolvição do parlamentar, é a realização de sessão aberta ao público.
Para que seja cassado, 41 senadores devem votar pela perda de mandato. Neste caso, Renan ainda perde o direito de participar de qualquer eleição até 2015. ?É uma pena muito dura?, vem repetindo Renan em diferentes conversas com aliados e com a imprensa.
O senador nega as acusações. Renan passou a véspera do julgamento articulando a absolvição com aliados e buscando convencer alguns colegas de sua inocência. À noite, Renan acertou os últimos detalhes da defesa, que será lida em plenário.
O documento concentra munição no acusador, o usineiro João Lyra. Renan repetirá o argumento de que Lyra tem motivação política para atacá-lo, principalmente pela aliança formada entre o peemedebista e o candidato vitorioso ao governo alagoano, em 2006, Teotônio Vilela Filho (PSDB).
Para o líder do PSB, Renato Casagrande, que já anunciou voto pela cassação de Renan, o ambiente na Casa é propício para que Renan escape de mais um processo. ?A temperatura da Casa esfriou. Acho que o clima hoje é pela absolvição?, analisa.
O presidente interino do Senado, Tião Viana (PT-AC), disse que espera uma sessão sem grandes surpresas. Para ele, os momentos de maior tensão deverão acontecer na defesa de Renan e no período da acusação, representada pelo DEM e PSDB.
?Espero que seja um julgamento correto, sem que as questões partidárias se sobreponham à consciência de cada senador.

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