A Polícia Militar prendeu na tarde desta quinta-feira, Hildebrando Alves de Arruda, acusado de participação no seqüestro de dois homens. Ele estava em um sítio, no bairro rural dos Rochas, município de Fama, com dois reféns, quando a Polícia Militar chegou. O sítio pertence a Jorge Bayão, que não foi localizado pela reportagem.
Com a chegada dos policiais, o rapaz apontou duas armas, um revólver e uma pistola para as cabeças das vítimas e exigiu a presença da imprensa e de um advogado para se entregar. As vítimas são da cidade de Pimenta e tinham sido seqüestrados próximo ao trevo de Alfenas, na tarde da última terça-feira.
O rapaz se entregou, depois de muitas negociações com a polícia, e foi encaminhado para a 19ª Delegacia Regional de Segurança Pública, onde permanece detido. Ele é natural do Mato Grosso. Um outro homem participou do seqüestro, mas até o momento não foi localizado. Na delegacia, Hildebrando não quis falar com a reportagem. Disse apenas que não conhece o dono do sítio e que entrou no local com os reféns porque pensou que o sítio estava abandonado.
De acordo com o Major Ronaldo Rezende dos Anjos, da Polícia Militar, o serviço de inteligência da PM começou a fazer investigação logo na terça-feira, dia que as vítimas foram seqüestrados. ?Rodamos a madrugada toda?, disse o Major, que colocou toda a sub-área da 80ª Companhia Militar empenhada no seqüestro, e teve ainda o apoio do 24º Batalhão da PM, de Varginha.
Durante à tarde desta quinta-feira, vários homens armados e barreiras policiais foram colocadas em vários pontos da BR-491. O objetivo era encontrar o outro suspeito de participar do seqüestro, que estaria em um VW Golf azul.
O delegado João Simões de Almeida Júnior informou que a Polícia Civil está apurando ?os fatos? e se há alguma responsabilidade do dono do imóvel no seqüestro.

?Pediram R$200 mil?

O alvo dos seqüestradores era o comerciante Janúsio Ferreira da Costa, da cidade de Pimenta. Ele foi seqüestrado com o cunhado, o Cabo da Polícia Militar João Batista Gomes Filho, quando vieram em Alfenas, na última terça-feira, para comprar redes de pesca.
De acordo com a vítima, a abordagem foi na BR-491, próximo ao trevo de Alfenas. Ele conta que um carro, provavelmente uma Parati, parou na frente do veículo que ele estava e dois homens armados desceram e anunciaram que ?se tratava de um seqüestro?. Um dos seqüestradores estava encapuzado, ?apenas o que foi preso mostrava a cara?.
Costa disse que foram levados para o sítio e que a todo o momento eram mantidos acorrentados. ?Às vezes pelo pescoço, outras vezes pela perna, só de camiseta e cueca?. Segundo Costa, os seqüestradores não foram violentos e serviram marmitex nas refeições. ?Eles queriam R$ 200 mil reais de resgate e o prazo final era hoje?, disse Costa, lembrando que os seqüestradores disseram que sabia quem ele era, inclusive nome da esposa. ?Falaram que pretendiam me seqüestrar há um mês atrás?, comentou.

Fiquei assustado?, disse o Cabo da PM
O Cabo da Polícia Militar João Batista Gomes Filho, tentou esconder a carteira de policial quando foi seqüestrado junto com o cunhado. Os seqüestradores acabaram achando a identificação do policial no cativeiro. ?Fiquei muito assustado?, disse o militar, lembrando que neste momento um dos acusados disse que o seqüestro havia ?sujado?.
?Eles diziam por telefone que a ordem era matar se não pagasse o resgate e quando descobriram que eu era PM achei que era o fim?, concluiu.
Este foi o segundo seqüestro em Alfenas em menos de três anos. Em abril de 2005, a filha do reitor da Unifenas, Edson Velano, ficou 26 dias nas mãos dos seqüestradores, que acabaram presos.

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