O vereador César Henrique Fernandes da Silva (PP), conhecido como César Tarzan, de Divinópolis e outras cinco pessoas, incluindo assessores do parlamentar, foram indiciados pela Polícia Federal por crimes eleitorais ocorridos em 2016 . César também foi indiciado por dois crimes de natureza comum.

César responderá pelos crimes de compra de votos, boca de urna, falsidade ideológica eleitoral (pela prestação falsa de contas), concussão e falsidade ideológica comum. As investigações começaram em 2017,quando o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e a PF fizeram buscas no gabinete do vereador.

Em coletiva de imprensa, realizada um dia após as buscas no gabinete, o vereador disse que não existe prova de um fato que jamais aconteceu”. Contudo, em janeiro de 2018, ele teve a prisão preventiva decretada por descumprir medidas cautelares. Ele pagou fiança e foi liberado dias depois.

Investigação

Segundo o delegado da PF responsável pela investigação, Benício Cabral, o inquérito foi concluído na sexta-feira passada (8) e foi comprovado, durante o inquérito, que o vereador cometeu o crime de boca de urna em duas modalidades: distribuição de santinhos e pedido de votos.

As seis pessoas foram indiciadas por crimes diferentes sendo que, delas, César foi indiciado por seis crimes, segundo Benício.

O inquérito começou após duas pessoas denunciarem César Tarzan ao MPMG por boca de urna e compra de votos. Os denunciantes também foram indiciados porque, de acordo com o delegado, confessaram participação do esquema e afirmaram que o então candidato prometeu cargo aos denunciantes, que patrocinaram sua campanha, caso fosse eleito.

Durante as investigações, os denunciantes afirmaram que compraram votos em nome do vereador durante a campanha eleitoral de 2016. Além da compra de votos, eles afirmaram, ainda, terem feito boca de urna nas duas modalidades citadas em nome do então candidato no dia de votação.

Além da boca de urna, o delegado afirmou que ficou comprovado que César comprou votos de populares por meio de cestas básicas e promessas de emprego. Além disso, ele teria exigido o “raxilde” aos denunciantes. “Raxilde é a prática onde o assessor passa uma parte de seu salário para o político”, explicou o delegado.

“Por causa disso, eles [denunciantes] se desentenderam com o César e o denunciaram. Eles pagaram a campanha e denunciaram a boca de urna. Ficou constatado que o vereador não participou ativamente da distribuição de santinhos, pois teve medo de ser preso em flagrante e perder a campanha toda, mas ele participou ativamente da boca de urna”, afirmou.

Ainda segundo o delegado, ficou constatada a compra de votos antes do período eleitoral. “Ele prometia empregos de motorista, empregos na Prefeitura, prometia entregar cestas básicas todo mês, pagar contas de água e luz atrasadas. E conseguimos comprovar a maioria destas promessas”, contou à reportagem.

Durante o período eleitoral, o delegado afirmou que ficou constatado, também, o crime de falsidade ideológica eleitoral, pois o então candidato mentiu em sua prestação de contas ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE).

Após as eleições, as investigações apontaram que o vereador cometeu outros dois crimes: o de exigir vantagem indevida em função do cargo que exerce, chamada de concussão, e o de falsidade ideológica comum.

“O vereador cometeu mais dois crimes depois das eleições. O de exigir vantagem indevida em função do cargo que exerce ou vai exercer, o que caracteriza concussão, e falsidade ideológica comum, quando acionou a Polícia Militar e lavrou um REDS e declarou que o denunciante o agrediu fisicamente – fato que nunca aconteceu”, afirmou.

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Fonte:

G1