A Polícia Civil investiga pelo menos sete casos de feminicídio em Minas Gerais desde o início de 2019. Nesta quinta-feira (10), Gilvane Paula Agostinho, de 38 anos, que estava grávida de oito meses, foi assassinada a facadas na Região Metropolitana de Belo Horizonte. O bebê também não sobreviveu.

A vítima foi atacada dentro de uma casa, em Esmeraldas, e o suspeito é o ex-marido dela. Darismar Vieira, de 38, segundo vizinhos, não aceitava o fim do relacionamento e usou uma faca para agredir Gilvane que, mesmo ferida, conseguiu correr, atravessar a rua e pedir ajuda na casa da vizinha que mora em frente.

Gilvane foi levada para o Hospital Municipal de Contagem e, pouco depois, o suspeito que, na fuga, bateu o carro, foi atendido no mesmo hospital.

“Pra gente todo mundo é paciente e a gente vai fazer o melhor possível pra salvar qualquer paciente que entrar aqui dentro do hospital”, disse o diretor geral do complexo hospitalar, João Pedro Laurito Machado.

Gilvane e a bebê, que ia se chamar Isadora, morreram. O ex-marido está no Centro de Tratamento Intensivo (CTI), em estado grave.

A família de Gilvane conta que ela e Darismar se separaram há dez meses. Ela estava morando no Espírito Santo com o pai do bebê e veio a Minas Gerais decidir sobre a filha que tinha com o ex-marido.

“Depois de uns três dias que ela tinha viajado, que a minha mulher me mostrou o áudio, que ele tinha ameaçado ela. Aí que eu fiquei mais preocupado”, contou o lavrador Luciano de Paula Agostinho.

Na gravação, Darismar pede a ex-cunhada para não deixar Gilvane voltar a Minas. “Tenta convencer a Gilvane a ficar morando aí na roça, entendeu? Porque ela vir morar aqui perto de mim, isso não vai dar certo”, disse o suspeito no áudio exibido pela reportagem.

Após o crime, o atual companheiro de Gilvane, Admilson José de Souza, lamentou a morte da mulher e da filha que teriam. “Tudo que eu queria era a minha filha, e ela também. Acabou com a vida da gente, não só a minha de todos os parentes”, disse.

Outros casos
Um milhão de processos de violência doméstica tramitam na Justiça brasileira. No ano passado, a Central de Atendimento à Mulher — que é o Ligue 180 — registrou 92 mil denúncias de agressão no país, 30% mais do que em 2017.

Em Minas Gerais, outros seis casos de feminicídio foram registrados somente nos primeiros dias do ano. Na noite desta quinta, em Formiga, Milena Siqueira, de 37 anos, foi morta a tiros pelo ex-companheiro, que também atirou na filha dela, de 17 anos, e se matou em seguida.

Katiele Rodrigues Santos foi morta a golpes de facão pelo ex-companheiro, em Francisco Sá, na Região Norte de Minas Gerais. O agressor fugiu. “Ele já tem três passagens policiais – um sobre violência doméstica, uma de ameaça e uma lesão corporal contra vítimas diferentes. Duas das vítimas são mulheres”, explicou o delegado Raniere Marcondes Damasceno.

Em Monte Carmelo, na Região do Alto Paranaíba, uma mulher de 50 anos foi encontrada morta no Assentamento Renascer. Foram encontrados junto com o corpo uma enxada e uma faca. A vítima apresentava ferimento no crânio e duas perfurações – uma no pescoço e outra no tórax.

Em Virgem da Lapa, na Região do Vale do Jequitinhonha, uma mulher de 25 anos foi assassinada a tiros pelo ex-companheiro.

Em Nova Lima, na Região Metropolitana, um policial militar assassinou a mulher, atirou em um cunhado e se matou em seguida. De acordo com a PM, o casal estaria em processo de separação e teve uma discussão. O tio dela tentou intervir e foi baleado. O PM então disparou contra a própria cabeça e morreu no local.

Uma idosa, de 67 anos, foi assassinada em Ituiutaba, na noite do primeiro dia dio ano. Segundo as informações da Polícia Militar (PM), a vítima foi encontrada morta na cama e com marcas de violência.

Lei Maria da Penha
A Lei Maria da Penha prevê medidas protetivas, como o afastamento do agressor e a proibição de contato com a vítima. Se a medida for desrespeitada, o homem pode ser preso em flagrante e não pode ser solto com pagamento de fiança.

O agressor também pode responder a processo por crimes como violência moral, psicológica e lesão corporal, com pena de até três anos de prisão. A fiança, nesses casos, é de um a cem salários mínimos.

Para garantir a segurança das vítimas ameaçadas, é importante que elas avisem as autoridades nos casos de descumprimento das medidas protetivas o quanto antes.

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Fonte:

G1