Nova York foi considerada, há pouco tempo, a megalópole mais suja do mundo, a líder mundial em quantidade de resíduos sólidos, deixando para trás outras mais visadas como Mumbai, Cidade do México e Moscou.

Os problemas típicos da maioria das cidades ao redor do mundo é ter o lixo transbordando, aterros com práticas de reciclagem erradas ou inexistentes, instalações de incineração insuficientes etc. A exceção fica para as cidades da Suécia, onde elas têm que importar lixo a fim de manter suas plantas de energia trabalhando.

Uma equipe internacional de cientistas publicou recentemente os resultados de uma grande investigação sobre a eliminação de lixo das vinte e seis megacidades em todo o mundo. O estudo, publicado na revista Proceedings of the National Academy, teve o objetivo de quantificar o impacto destas cidades no ambiente e na sua importância para enfrentar os desafios ambientais em escala global.

Infelizmente para os EUA, a liderança na produção de resíduos sólidos é Nova York, e gera quase três vezes mais do que as segundas colocadas, Cidade do México e Tóquio. E não levam em conta a população das cidades, já que Nova York tem 12 milhões de habitantes a menos que Tóquio.

Para piorar a situação, a cidade de Nova York também usa mais energia do que qualquer outra megacidade. Em comparação com as pessoas que vivem em Kolkata, uma das cidades mais densamente povoadas do mundo, um nova-iorquino gasta 20 vezes mais energia, e produz 15 vezes mais resíduos sólidos.

É importante saber que as 26 megalópoles em todo o mundo têm metade da população do mundo. Isso as torna os principais locais onde as políticas e estratégias ambientais devam nascer.

Cabe ressaltar que Nova York implementou algumas medidas para mudar essa situação. Mais de cem restaurantes estabeleceram uma meta para reduzir o desperdício de alimentos comerciais adicionado a aterros em até 50%. A comida não consumida vai para ser reciclada ou compostada. Isso porque cerca de 70%, 20.000 toneladas por dia de alimentos adicionados aos aterros vêm de restaurantes.

Em 2013, a prefeitura iniciou um programa piloto de compostagem em escolas do Brooklyn e Manhattan. Foram destinados nove acres de terra de propriedade da cidade para serem convertidos em hortas comunitárias.

O prefeito já fez muitas mudanças polêmicas na cidade, proibiu o fumo em parques e restaurantes, redução no consumo de sódio, incentivou a bicicleta como transporte, e fez campanha para recolher e separar os restos de comida para compostagem. Foi inspirado em outros locais que já fazem isso como São Francisco e Seattle.

A administração Bloomberg, se tiver sucesso, planeja transformar o lixo orgânico em biogás para gerar eletricidade. Exatamente como faz o supermercado Sainsbury em Cannock, Reino Unido. Cem por cento dos alimentos vencidos ou dos resíduos de alimentos viram biogás, através da digestão anaeróbia, que é usado para alimentar geradores de energia elétrica. E a geração é feita a 1,5 km da loja. E a energia é suficiente para total independência. Bons exemplos para os políticos brasileiros.

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