Pedro Parente disse que objetivo da empresa é ter “preços competitivos” (foto: Marcelo Camargo/ABR – 1/6/16)

 

Rodolfo Costa /Correio Braziliense/ Portal Uai 

A Petrobras pretende adotar uma nova política de preços dos combustíveis que pode levar à redução do preço da gasolina no Brasil. O presidente da estatal, Pedro Parente reforçou ontem que a empresa é livre para ajustar o valor da gasolina “quando julgar necessário” e que o planejamento da empresa prevê “preços competitivos”. “Chegamos à conclusão recente de que não precisamos fazer mudança de preço já. Mas também não precisamos perguntar a ninguém se decidirmos que temos que mudar”, disse Parente ao apresentar o Plano de Negócios e Gestão 2017-2021, que prevê investimentos de US$ 74,1 bilhões para o período, um corte de 25% em relação ao planejamento em vigor, de US$ 98,4 bilhões. O valor estabelecido é o menor desde o PGN 2006-2010, que fixou aplicações de R$ 56,4 bilhões.

A intenção da estatal é alinhar os preços dos combustíveis no Brasil com os praticados no exterior e hoje, segundo informação da Globo News com base em cálculos de economistas que acompanham o mercado, a gasolina brasileira custa cerca de 30% mais do que a média dos valores no exterior, o que levaria a empresa a reduzir o preço da gasolina ainda este ano. Essa diferença e a perspectiva de corte nos custos de produção e refino apresentadas pela empresa vão pesar na decisão sobre os preços. Segundo a Petrobras, o custo de refino deve cair de US$ 0,49 mil por Unidade Equivalente de Capacidade de Destilação (UECD) em 2014 para uma média de US$ 0,29 mil/UECD entre 2017 e 2021.

Na apresentação, Parente fez questão de destacar a independência da Petrobras para estabelecer os preços dos combustíveis e em relação ao governo. Ele descartou o detalhamento prévio do plano estratégico e de negócios da estatal para a União, acionista controladora da companhia. Apesar disso, ele foi taxativo em dizer que o rumo da Petrobras está alinhado com o governo. “O plano tem dois anos de preparação, com mais aperto e mais austeridade para que a gente possa no final desses dois anos voltar a crescer em condições saudáveis”, afirmou o executivo.

O recuo de investimentos é tido pelo mercado como fundamental para assegurar o equilíbrio das finanças da estatal. No entanto, como a empresa representa cerca de 10% dos investimentos do país, a decisão é uma entrave para a recuperação da economia. Para o economista Walter de Vitto, analista da Tendências Consultoria, a redução de investimentos pode ser negativo, mas apenas no curto prazo. “A longo prazo, ter a empresa saneada significa que ela poderá investir mais, permitindo vislumbrar maior do aumento do PIB”, enfatizou.

Além da redução de investimentos, a Petrobras tem como meta arrecadar US$ 19,5 bilhões em parcerias e vendas de ativos para 2017 e 2018. Para isso, a estatal vai sair das atividades petroquímica, de produção de biocombustíveis, distribuição de GLP e de produção de fertilizantes No segmento de gás, a intenção é “adequar a participação da companhia” e, no setor de energia, “reorganizar as participações societárias”. (Com agências)

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