O rendimento médio da população negra na região metropolitana de São Paulo ficou em R$ 4,36 por hora no ano passado, pouco mais da metade dos rendimentos recebidos pelos não-negros (R$ 7,98). Além disso, segundo levantamento da Fundação Seade divulgado nesta terça-feira, a taxa de desemprego para os negros estava em 17,6% em 2007, o índice dos não-negros era de 13,3%.
A desigualdade de salários não foi apenas observada entre as raças, mas também entre os sexos. Em 2007, os homens negros recebiam R$ 4,84 por hora enquanto os do outro grupo R$ 8,66. No caso das mulheres, o salário da negra era, em média, de R$ 3,86 enquanto os das não-negras era de R$ 6,88.
A pesquisa do Seade verificou que até em grupos mais homogêneos, como ocupados nos Serviços Domésticos, na Construção Civil ou que realizam tarefas de execução sem qualificação, os negros ainda ganham menos do que os não-negros.
O estudo apontou que a população negra na PEA (População Economicamente Ativa) representava um terço do total, porém a taxa de desemprego nesse grupo atingia 42,9% no ano passado.
Em grande parte, esse descompasso reflete o acúmulo de carências ao longo de várias gerações, cujos efeitos levam ao comprometimento de uma formação adequada que prepare o indivíduo para o mercado de trabalho, afirma o Seade em comunicado.
Desemprego
Apesar de ainda maior, o levantamento destaca que entre 2003 –ano em que a taxa de desemprego na região metropolitana atingiu o pico– e 2007, a redução do índice caiu 28% para os negros e 24% para os não-negros.
Porém, as desempregadas negras passam mais tempo procurando trabalho –54 semanas em média, em 2007–, enquanto os homens negros despendem menor tempo nessa busca –45 semanas. Entre os não-negros, as mulheres gastavam 49 semanas e os homens 47 no ano passado.

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