A jovem Kelly Cristina da Silva Araújo, de 28 anos, que sofre de insuficiência renal crônica terminal e se submete a sessões de hemodiálise três vezes por semana, está desde o início do ano sem ter acesso a um medicamento indispensável para seu tratamento.
Mãe de três filhos, ela conseguiu, na justiça, o direito de ter acesso ao remédio, que por mês custaria cerca de R$800. A última decisão favorável ao pedido é datada do dia 6 de fevereiro, quando o fornecimento do remédio já havia sido suspenso pela Prefeitura de Formiga. Nela, o juiz Paulo César Augusto de Oliveira Lima determinou que o Estado de Minas Gerais e o município de Formiga continuem a fornecer o medicamento Mimpara 30mg, de forma contínua e na quantidade indicada para a paciente, até que uma decisão médica autorize o fim do tratamento ou a troca de medicamento. Na decisão, ficou estabelecida multa de R$200 por dia de atraso no fornecimento.
Mesmo com a decisão em mãos, no dia 26 de fevereiro, uma representante da paciente voltou à Farmácia Municipal para buscar o remédio, e como havia ocorrido no dia 15 de janeiro, recebeu um documento, informando que o medicamento estava em falta no estoque.
Em relatório médico, anexado ao pedido feito junto ao Ministério Público, que resultou na decisão judicial, é mencionada a necessidade de que a paciente use o medicamento continuamente, devido ao desenvolvimento de distúrbio mineral e ósseo avançado, devido à insuficiência renal. ?Caso a paciente não utilize o medicamento, é possível que ela evolua para dores ósseas intratáveis, osteíte fibrosa, fraturas ósseas, calcificações de vasos sanguíneos e, progressivamente, torne-se cadeirante ou chegue a óbito precoce?, diz o relatório.
O jornal entrou em contato com a Prefeitura para que a mesma se posicionasse sobre o caso. Em resposta, a Secretaria de Comunicação explicou que ?houve um atraso na entrega dos medicamentos fornecidos pelo Estado. O medicamento em questão já foi entregue à Prefeitura e o fornecimento para a população já foi normalizado?.
Apesar do medicamento ter chegado, a representante da paciente só conseguiu pegar o remédio na Farmácia Popular após ameaçar acionar a Polícia. De acordo com ela, os funcionários não queriam entregar o medicamento, alegando que a entrega é feita em dias determinados.

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