Cidades mineiras deram início às negociações para a compra de vacinas contra a Covid-19. Belo Horizonte e Uberlândia, no Triângulo, estão de olho na chinesa Coronavac, desenvolvida em parceria com o Instituto Butantan, de São Paulo. As prefeituras também miram, respectivamente, a da Pfizer, que desde terça-feira é aplicada em massa no Reino Unido, e a russa Sputnik.

A medida é uma tentativa de encurtar o tempo para que a proteção chegue à população. Porém, ainda não é possível cravar uma data para a aprovação de qualquer imunizante em teste e quando, de fato, as pessoas começarão a receber as doses.

Para isso, é preciso analisar os dados coletados durante as pesquisas e os resultados da fase 3 (testes em humanos), além de eventuais requisições de mais estudos que podem ser solicitadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), destaca o diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Renato Kfouri. “Montar um esquema de vacinação sem saber que vacina será usada é muito temerário”, complementa.

Ontem, em entrevista à CNN Brasil, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, disse que a imunização pode começar ainda em dezembro, caso a Pfizer antecipe a entrega das doses. Mas o diretor da SBim frisa que esse imunizante representa um desafio, uma vez que precisa de refrigeração abaixo de 70 graus.

Na capital mineira, a PBH anunciou, ontem, ter feito acordo com a UFMG para a disponibilização de três freezers para a conservação das doses da Pfizer, caso seja necessário, além da Coronavac, adquirir essa proteção para complementar a oferta à população. Em 25 de novembro, o prefeito Alexandre Kalil disse ter dinheiro em caixa para comprar doses para todos os moradores da metrópole. Cerca de 2 milhões de seringas já foram estocadas.

Em Uberlândia, ontem, o chefe do Executivo, Odelmo Leão, anunciou ter solicitado, ao Instituto Butantan, 400 mil doses da Coronavac para imunizar 200 mil pessoas, já que são duas etapas de vacinação. Há conversas, também, com a União Química Farmacêutica Nacional, que se associou ao Fundo Russo de Investimento Direto (RDIF) para produção da Sputnik V.

“Não se pode meter os pés pelas mãos. Não se pode comprar, de qualquer jeito, qualquer quantidade de vacina de qualquer fabricante a qualquer preço, sem ter garantia de sustentabilidade no programa de vacinação. Comprar 10 milhões de doses e, depois, não ter como dar continuidade à uma segunda dose”, observou o diretor da SBIm.

Fonte: Hoje em Dia

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