A presidente do Sindicato dos Trabalhadores Municipais de Formiga (Sintramfor), Ana Paula Melo, fez uso da ?Tribuna do Povo? na reunião de segunda-feira (14), na Câmara Municipal. Ela foi pedir apoio aos vereadores a respeito do corte no adicional de insalubridade dos servidores municipais.
Na terça-feira passada (8), ocorreu reunião entre a diretoria do sindicato e os servidores públicos da Saúde, no edifício Antônio Vieira, sede da Secretaria de Saúde. No encontro, foi debatido sobre o corte no adicional de insalubridade de algumas categorias e ainda foram tiradas dúvidas de quem tem direito de receber ou não o benefício.
Ana Paula ressaltou na Câmara que, neste mês, alguns funcionários foram até o sindicato e contaram sobre os cortes nos salários. ?Não são todas as categorias da Saúde, são algumas. São muitos servidores que vão tomar um prejuízo muito grande, já estão tendo esse prejuízo. Gostaria que o prefeito se sensibilizasse em nos ouvir. Fiquei sabendo que o rapaz que acompanha a empresa lá do Rio Grande do Sul está aqui em Formiga esta semana e que uma reunião será agendada. Vamos levar o nosso advogado para mostrar que temos sentenças judiciais sobre esse assunto e, se isso for retirado do servidor, essa sentença será executada no Judiciário, temos esse trunfo na manga também?.
A presidente do Sintramfor ressaltou que o sindicato não vai abandonar os servidores de forma alguma. ?Ficamos reunidos na sexta-feira [11], esperando o pessoal da Prefeitura e, com aquela ?chuvarada?, ninguém apareceu. Mas isso não foi desculpa, nós chegamos antes da chuva e eles poderiam ter chegado também. Alguém poderia ter ido lá ouvir os servidores, mas ninguém foi. Segundo o nosso engenheiro do trabalho, o que tem que ser observado é a atividade do servidor e não o cargo, ser observado o que ele faz, isso é que tem que ser observado. Nós pedimos ao prefeito Aluísio Veloso que coloque em disponibilidade uma equipe para nos receber, para dialogar, assim como foi feito com os servidores do Saae, o que deu certinho. Se não houver negociação no sentido do diálogo, nós vamos apelar para a área judicial?, afirmou Ana Paula.
Apoio dos vereadores
Os vereadores se mostraram favoráveis aos direitos dos servidores. O presidente da Casa, Moacir Ribeiro/PMDB, contou que foi procurado por vários funcionários da Prefeitura para falar sobre o assunto. ?Quando é retirado de imediato sem fazer uma comunicação, sem avisar a pessoa, ninguém quer que diminua os salários das pessoas, ninguém quer que seu salário seja diminuído?.
Edmar Ferreira/PT disse que cortar a insalubridade dos funcionários é uma covardia muito grande. ?Tem pessoas que tem 15 anos, 10 anos que recebem esse direito. Se está na lei, por que agora acabou? Eles não podem receber mais? Acredito que umas 200 pessoas vão perder. Isso na Prefeitura vai ser uns R$40 mil, não é tão grande assim, mas, para quem ganha um salário, tirar R$100, vai faltar na mesa dele. Eu acho uma covardia e isso deve ser olhado. Se cortar, o prefeito pode fazer uma lei, pedindo aumento e nós podemos aprovar, por que não? O que não pode é acontecer uma coisa dessas?, indagou Edmar.
O vereador Cid Corrêa/PT ressaltou que querem cortar benefícios de servidores que já ganham tão pouco para beneficiarem provavelmente servidores do alto escalão da Prefeitura. ?Esses servidores da Saúde é que têm o primeiro contato com os pacientes, com a pessoa que está em tratamento. Na verdade, o ambiente como um todo é insalubre, ou seja, de certa maneira levam o risco de contaminação. Na minha opinião, a administração municipal está querendo boicotar os servidores que já ganham tão pouco, valorizando o de alto escalão. Tirar R$100, R$150 dessas pessoas que já ganham tão pouco gera um impacto na mesa da sua família. Acho que deveria cortar de cima pra baixo, isso é uma covardia. Tem várias maneiras de reduzir gastos na Prefeitura?, contou.
Eugênio Vilela também fez uma observação sobre o assunto, que denominou de ?maquiavélica?. ?Temos em Formiga um partido trabalhista que corta benefícios dos servidores. Por aí, a gente vê que contramão está a administração quando se fala em valorizar o servidor. Há dois anos o aumento salarial foi zero e, agora, disseram que o benefício era indevido, então, por que era dado??.
Ofício enviado pelos servidores
Durante a reunião, o segundo secretário Reginaldo Henrique dos Santos (Dr. Reginaldo/PCdoB) leu um ofício enviado pelos servidores da Saúde. O documento ressalta que ?haverá mais cortes nos salários de servidores, como os agentes comunitários de saúde, agentes de endemias, motorista de ambulância, zeladores, recepcionista do Pronto Socorro, servidores da obra, como pintores, mecânicos e demais servidores, como foi comunicado pelo nobre Sudário [secretário de Administração e Gestão de Pessoas], o que nos deixa desesperados, pois até onde chegará estes cortes, mas, se hoje tomarmos providência, amanhã será outro direito cortado, fomos ao senhor prefeito que alega não saber desse grave ocorrido, assim ficamos preocupados se o chefe do Executivo não tem total ciência dos atos que ocorre na sua administração, poderá seus comandados fazer o que desejam, talvez a máquina pública esteja inchada e nós é que vamos pagar por esta vergonha.
Sabemos que a implantação dos Planos de Carreira vai gerar um grande impacto na folha salarial e, ao invés de enxugar a máquina, corta de nós pequenos e assim mantém as mazelas dos cargos de comissão. A que se duvidar da perícia feita por uma empresa do Rio Grande do Sul e o seu real motivo pois, não conhece a realidade sofrida destes servidores municipais pois está retirando um direito dado há muito tempo por um laudo pericial diante disso pergunto ao senhor prefeito. O que mudou a lei ou risco que corremos em adoecer pela complexidade ao serviço? Por favor, nos responda senhor prefeito. Para que talvez e tão dificilmente nos convença da necessidade do corte da insalubridade. Hoje, dependemos dessa insalubridade cortada sem pensar na consequência que vai gerar em nosso lar, estamos frustrados, pois assim sabemos que nenhum valor teve esforço em passar por um concurso e entra pelas portas da frente de nada valeu ante o privilégio dispensado àqueles que não fizeram esforço algum para comandar com mãos de ferro, a quem diga que perder de R$ 107.20 à R$ 160 dependendo da categoria do servidor é pouco, mas não é para nós, pois significa pagar aluguel, luz e água, comprar mantimentos e dar um pouco mais de dignidade à nossa família.
Portanto envio a vós esta simples carta, sabemos que os nobres vereadores não são quem nos paga, mas, é para nós servidores uma voz de referência destes que são pais, mães e filhos desesperados. Talvez nosso prefeito desista do ato covarde ouvindo aos nobres que tanto tem nos representado na Câmara, pois nunca ouve em nossa história vereadores que defendesse os interesses de meros servidores como vós, que desde a reforma administrativa que denunciaram aumentos vergonhosos dos cargos comissionados e apenas 5% para nós efetivos, estiveram do nosso lado, portanto tomamos a decisão de lhes enviar esta carta porque na seção anterior foram citados pelos nobres vereadores Dr. Reginaldo, Cid Corrêa e Mazinho, obrigado aos nobres que não nos esqueceram e peço aos demais vereadores que também abracem esta causa e nos ajudem a recuperar o que perdemos. Mais uma vez, obrigado a todos os vereadores?,
destacou a carta enviada pelos servidores.

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