No rastro da Lava Jato várias outras operações vieram e a ela se conectaram, resultando numa enorme lista com os nomes bem escolhidos e muito significativos, por meio dos quais elas – as operações – passam a ser conhecidas após divulgações na mídia.

As da vez, cognominadas de “Chequinho” e “Calicute” lograram, em menos de 24 horas, colocar no xilindró dois ex-governadores do Rio de Janeiro. Garotinho e Sérgio Cabral, ao menos até agora, experimentam o conforto das celas em que foram recolhidos e certamente devem estar imaginando por quanto tempo ainda, serão a bola da vez.

Na manhã de quinta-feira (17), um comentarista da Bandeirantes, o “corajoso” Boechat lembrou-nos com a ironia que lhe é peculiar, que bom seria se as autoridades responsáveis pela hospedagem dos ilustres, os mantivessem em celas separadas e ainda tivessem o cuidado de não permitir a eles o tal do banho de sol no mesmo horário. Isto para que se lhes iniba a oportunidade de, num encontro, quem sabe, criarem dentro do sistema prisional mais uma facção que, no futuro poderia abrigar outros que certamente, estarão na fila para lá chegarem sob os auspícios dos juízes de primeira instância que, agora mais destemidos e como fiéis seguidores do Moro e conscientes de seus deveres, nos últimos tempos têm colocado mais peso nas canetadas que antecedem os mandados de busca, apreensões, conduções coercitivas ou prisões, ainda que provisórias, de todos aqueles que figuram na extensa lista fornecida pelas investigações já realizadas ou em andamento, ou ainda, obtidas através deste novo instrumento conhecido como “delação premiada”. É claro, não querendo aqui nos esquecer das “preventivas”.

Se nos é estranho que os primeiros trazidos às barras da lei, agora já começam a gozar de novos regimes de pena, muitos deles cumprindo sentença em verdadeiros palácios onde desfrutam de todo conforto e mordomias, também é preciso que compreendamos que estas “regalias ou prêmios”, lhes são dadas em função da importância da lista de envolvidos, com as devidas provas documentais, que eles disponibilizaram aos investigadores da Polícia Federal e do Ministério Público.

Se dois governadores do Rio de Janeiro também estão lá, devidamente recolhidos, não nos é difícil imaginar que em breve, mineiros, paulistas, nordestinos e tantos outros, também não escaparão de serem brindados da mesma hospedagem.

O ex-senador Delcídio do Amaral, assim como nós, também acredita na hipótese de que, em breve, passada esta fase que privilegia a lista composta pela turma do escalão superior da administração pública, veremos a ação policial bater as portas de alguns menos cotados como: ex-prefeitos, ou ex-detentores de cargos públicos, alguns até já afastados de forma preventiva pela Justiça, que em cidades de menor porte agiram, guardadas as devidas proporções, igualmente contra os cofres públicos que, juraram logo que eleitos, defender.

Também nos parece claro que o povo brasileiro, agora chamado ainda que coercitivamente para o sacrifício de contribuir de alguma forma em favor da reposição de parte do que foi surrupiado dos cofres públicos, mesmo de saco cheio, ao ver atrás das grades seus algozes, os chefões da quadrilha, todos mais que conhecidos, quem sabe, pacificamente, entenda que é esta a grande oportunidade de se fazer com que um novo país renasça das cinzas.

Imprimir

Comentários