*Da redação

O projeto da formiguense Luíza Parreira, estudante de história da Universidade Federal deMinas Gerais (UFMG) e coordenadora do Núcleo Intersdisciplinar de Estudos da Imagem (NINFA-UFMG) foi o vencedor da 5ª edição do Prêmio Nacional de Educação em Direitos Humanos na categoria A (Educação Formal). O trabalho foi intitulado de “Entre o Diário de Anne Frank e a História em Quadrinhos: Estudantes Construindo a História de um Bairro”.

Luíza explicou ao Últimas Notícias que faz estágio obrigatório de prática docente na Escola Municipal Anne Frank, localizada no bairro Confisco, divisa entre Belo Horizonte e Contagem, desde o início de 2016. O bairro, considerado de alta vulnerabilidade social, vive uma situação de exclusão, discriminação e preconceito.

De acordo com a formiguense, justamente nas aulas de história foi detectado um preocupante problema de identidade e, por conseguinte, autoestima e memória. Vigorava entre os estudantes uma enorme rejeição ao lugar onde moram. Ninguém era capaz de se assumir como morador do Confisco. “Que é isso, morar nessa favela? Quem mora é o fulano de tal, eu só estudo aqui…”. Essas falas sempre acompanhadas de palavrões e ofensas predominavam.

Com isso, foi criado um projeto na qual os estudantes seriam os protagonistas do processo educativo. Eles deveriam escrever a história do bairro em história em quadrinhos.

Luíza explicou que antes de criar as personagens, os desenhos, o roteiro, era preciso conhecer a história que se pretendia contar. Aliás, a história em suas várias versões. Para tanto, estudantes tornaram-se pesquisadores, historiadores, quadrinistas, entrevistadores, etc. Como ferramentas, os estudantes usaram a história oral, a pesquisa de opinião, a leitura, o fichamento, a pesquisa de campo, a curadoria e outras formas de conhecer, registrar e comunicar.“Sinto-me extremamente honrada de ter a oportunidade de fazer parte de um projeto como esse, que transforma vidas”, disse a formiguense.

Mas como registrar e contar essa história em construção? Nada mais apropriado que mirar na adolescente que nomeia a escola. Além da adolescência, algumas similitudes ligam, no tempo e no espaço, o diário à HQ, Anne aos estudantes. As minuciosas referências de Anne à sua escola, aos professores, aos colegas de turma, podem bem sair das bocas de nossos adolescentes. Nos dois casos, mesmo que os comentários não sejam tão otimistas, deixam escapar a importância da escola em suas vidas. Certamente, a Escola Anne Frank, estará presente como lugar-personagem na história em quadrinhos.

No desenvolvimento do projeto foram utilizadas metodologias como a leitura do Diário de Anne Frank, a história oral, a pesquisa de opinião pública (entrevistas com moradores), a linguagem dos quadrinhos, e ainda as linguagens fotográficas e expográficas.

O Prêmio Nacional de Educação em Direitos Humanos é promovido pelo Ministério da Educação, pelo Ministério dos Direitos Humanos e a Organização de Estados Ibero-americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI), com patrocínio da Fundação SM,  que tem como objetivo incentivar experiências educativas que ajudem a construir uma nova percepção de mundo, com respeito à diversidade, à convivência pacífica e ao exercício da liberdade. A premiação ocorreu em Brasília.

(Fotos: divulgação)

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