Após quatro dias desaparecido, o promotor de Justiça Rodrigo Otávio Gonçalves e Silva, 45 anos, foi encontrado na noite desta terça-feira (8) em um hotel de Itaúna, sua cidade natal. A polícia investiga o sumiço do magistrado desde sábado (5). O carro dele, um Hyundai, foi encontrado na manhã de segunda-feira (7), na avenida Bias Fortes, no centro de Belo Horizonte, com manchas de sangue e dentro do porta-malas foram encontrados 52 processos, todos em andamento, do Juizado Especial Criminal da capital.
Além disso, foram encontrados no interior do veículo estilhaços de vidros, parte deles possivelmente de uma garrafa; um pedaço de pedra de mármore, uma lata de cerveja vazia.
Segundo informações que circulam pela imprensa estadual, um funcionário de um restaurante próximo ao local onde o veículo foi deixado disse ter visto um homem estacionando o carro na manhã de sábado. Como informou a testemunha, a pessoa tinha uma blusa amarrada no braço e a roupa estava suja de sangue. A PM descarta a possibilidade de acidente de trânsito, pois a lataria do carro estava intacta e o air-bag não foi acionado.
Conforme o tenente Daniel Prado, da 3ª Companhia do 1º Batalhão, a polícia foi acionada por volta das 8h30 de segunda-feira para atender a ocorrência de arrombamento de um carro no Centro da capital. Quando chegamos ao local, deparamos com o parabrisa e os vidros do passageiro do Hyundai quebrados. A porta do lado do carona estava amassada, disse o tenente.
Após levantar informações sobre o veículo e identificar o dono do carro, policiais militares foram até o apartamento do promotor, localizado no bairro Santo Antônio, região Centro-Sul da capital, mas, no imóvel, encontraram apenas a empregada.
A funcionária da família informou o número do telefone celular do promotor. Fizemos várias tentativas de contatos com ele, mas todas em vão. Conseguimos ainda o celular da mulher dele, mas ela também não atendeu, contou o tenente.
O sumiço
O tenente Prado revelou que não havia queixa registrada sobre o possível roubo do carro nem sobre o desaparecimento do promotor. Entretanto, conforme a própria Polícia Militar, na madrugada de sábado, por volta da 1h, o promotor Rodrigo Otávio teria sido abordado por policiais do 22º Batalhão durante uma operação no aglomerado do Cafezal, no bairro Serra, na região Centro-Sul. O magistrado estaria no Hyundai em companhia de outros sete homens, todos estavam dentro do veículo.
Segundo informações da Polícia Militar, o grupo foi orientado a descer do veículo e apresentar documentos. Rodrigo Otávio teria se apresentado como promotor, porém, como a carteira funcional dele estava em mau estado de conservação, os policiais chegaram a duvidar de sua função. Os militares solicitaram a presença de um curador da Procuradoria do Ministério Público para confirmar a informação. Depois de serem revistados, todos os ocupantes do carro foram liberados.
Conforme informações do jornal Super Notícias, a PM teria relatado que os homens que estavam com o promotor teriam envolvimento com o tráfico de drogas. Fontes da Polícia Civil disseram ao Super que os investigadores trabalham com a hipótese de que o promotor não tenha sido vítima de crime e teria apenas viajado.
Até ontem (8), familiares do promotor Rodrigo Otávio não haviam se pronunciado sobre o desaparecimento, eles informaram que o último contato com ele teria sido na quinta-feira passada (3). Uma irmã dele disse apenas que iria aguardar os fatos serem investigados. O Hyundai do promotor, adquirido há apenas um mês, foi levado para o Instituto de Criminalística.
O Ministério Público ainda não teria se pronunciado oficialmente sobre o assunto.
Constrangimentos
Conforme informou o Super Notícias, o Ministério Público teria informado que o promotor Rodrigo Bragança, que atua em Itaúna, tem tido constrangimentos por estar sendo confundido por populares com Rodrigo Gonçalves. A confusão teria ocorrido após a publicação de reportagem sobre um homem abordado em uma blitz na cidade com o carro e documentos do promotor Rodrigo Gonçalves.
Outros casos envolvendo o promotor
O promotor Rodrigo Otávio Gonçalves e Silva ingressou no Ministério Público Estadual (MPE) em 1998, em Itaúna. Em 2004, foi transferido para Formiga e dois anos depois para BH.
Em fevereiro de 2006, quando ainda atuava na Promotoria de Justiça de Formiga, o nome do de Rodrigo Otávio Gonçalves e Silva foi citado em uma ocorrência policial de apreensão de drogas. Na ocasião, o Ministério Público Estadual (MPE) divulgou nota de esclarecimento a qual relatava que Rodrigo Silva teria emprestado o carro dele a um amigo, sem saber para o que o veículo seria usado.
Em outubro de 2004, o promotor Rodrigo Otávio se envolveu em um acidente de trânsito. No carro conduzido por ele haviam seis ocupantes, sendo quatro passageiras; duas vítimas tiveram ferimentos graves. Ele pagou todas as despesas com os tratamentos das vítimas.

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