Paulo Coelho

A chapa “puro sangue” do Partido dos Trabalhadores (PT) conta com o apoio incondicional do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) na tentativa de se eleger prefeito e vice, no município de Formiga.

Depois de várias tentativas em busca de manter candidatura própria ao cargo máximo do Executivo, o PMDB optou por coligar-se com o PT e chegou inclusive a exigir que no mínimo, o vice-prefeito da chapa pertencesse ao partido do atual prefeito.

No entanto, após algumas tentativas de indicações de membros da própria agremiação, o PMDB depois da não aceitação por parte de alguns membros pré-indicados e pertencentes aos seus quadros (Gonçalo, Rogerinho e outros) acabou se coligando com o PT indicando apenas sete candidatos para comporem a chapa de postulantes ao cargo de vereador.

O partido recentemente passou por graves problemas de cunho administrativo, quanto à representatividade de seus membros que culminou com afastamento de alguns de seus expoentes como, o próprio ex-presidente Erasmo Carlos Espíndola, vereadores José Aparecido Monteiro (Zezinho Gaiola) e Rosemeire Ribeiro de Mendonça (Meirinha) que compunham a base de apoio na Câmara e outros que ocupavam cargos de confiança na administração.

O PT que conduziu os destinos administrativos desta cidade no mandato anterior e que foi severa e diuturnamente criticado pela administração Moacir Ribeiro, depois de tentar se coligar até mesmo com o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) – tradicional rival, diante da frente de mais de 20 partidos que se formou em coligação e apoiou a candidatura de Eugênio Vilela/Cid Corrêa, se viu praticamente obrigado a unir seus esforços com outro tradicional “rival” (na esfera municipal), em busca de poder apresentar uma alternativa à única candidatura até então formalizada e que com a desistência do outro postulante ao cargo (Arnaldo Gontijo), figurou durante alguns dias como a única opção para os eleitores formiguenses.

Assim sendo, surgiu a coligação “Para mudar e renovar Formiga”, formada pelos partidos PT/PMDB, encabeçada pelo médico psiquiatra, Reginaldo Henriques dos Santos, tendo como vice, o ex-prefeito de Pains e atual presidente do diretório local do PT, o empresário Ronaldo Goncalves (Ducal).

Nesta segunda (8), em sala de reuniões do consultório de Reginaldo, ambos concederam uma entrevista a órgãos de imprensa por eles convidados, durante a qual esclareceram algumas dúvidas ali suscitadas, respondendo com muito humor e relativa sinceridade às perguntas formuladas pelos jornalistas presentes (Nova Imprensa e Tribuna Formiguense).

A seguir resumo dos principais tópicos ali questionados:

Sobre apoio do Prefeito Moacir:

Com muito cuidado para não ferir suscetibilidades, especialmente na atual conjuntura, os candidatos afirmaram que todo apoio será bem-vindo, preferindo não se referir a problemas notórios pelos quais passa a atual administração, objeto de investigações por parte do Ministério Público e em andamento no Judiciário. Sobre os problemas financeiros hoje existentes, falta de recursos e a consequente situação de insolvência pública e notória, Ronaldo limitou-se a mencionar sua “profícua” administração por dois mandatos consecutivos na vizinha Pains.

Como atuarão?

Se depender de Ronaldo, embora tenha compromissos que o obrigue a dispender razoável tempo na administração de sua empresa, questionado se seria mais um “vice decorativo”, Ronaldo afirmou que pretende auxiliar Reginaldo naquilo que mais entende – administração – e o candidato a prefeito, interveio e comentou ser seu desejo dividir com ele (Ronaldo) as responsabilidades até porque, será preciso usufruir da grande experiência administrativa e conhecimentos acumulados que todos sabem, Ronaldo possui.

Plano de governo:

Ainda em elaboração e em breve será trazido a público. Reginaldo disse que seguirá as metas e a tendência mais que conhecida das administrações petistas, sendo voltado para o atendimento “mais social”. Saúde é sua maior preocupação e ele teceu algumas críticas ao caos atual e afirmou ter solução para tais problemas, pois é da área. Ao ser lembrado de que hoje temos um secretário “da área” e que nem por isto, coisas simples como o “desencaixotamento” de equipamento moderníssimo de Raio X, que há quase um ano aguarda providências para entrar em funcionamento, demonstra que nem tudo depende da competência do secretário, Reginaldo foi lacônico e incisivo: “comigo será diferente”. Reafirmou que sua administração priorizará o “coletivo”.

Sobre o loteamento de cargos:

Reginaldo garantiu que não há nenhum acordo com o PMDB, neste sentido. Vamos governar escolhendo gente competente como auxiliares, sejam do nosso ou de outros quadros. Desmentiu ainda, os boatos de que dividiria o município em subprefeituras, ironizando a história de que o subprefeito da Fazenda Velha já estaria escolhido.

Sobre a campanha:

Ambos falaram sobre a dificuldade de se obter agora, diante da nova legislação, recursos financeiros para alavancar campanha eleitoral e afirmaram que a coisa fluirá “se gastando muita sola de sapato”. “Neste sentido, faremos ombro a ombro com o eleitorado e contamos com a ajuda dos nossos candidatos a vereador, muitos destes possuidores de contatos (leia-se votos) em especial na zona rural e periferias da cidade”.

Provocações:

Relembrado sobre sua polêmica atuação junto às redes sociais, ao ser questionado se agora na condição já oficial de candidato, Reginaldo aceitaria voto dos “coxinhas”, o candidato foi enfático: queremos os votos de todo mundo que acredite em nosso plano de governo e vontade de “mudar e renovar Formiga”. Ronaldo interveio, concordou e colocou um ponto final no assunto.

Questionados sobre se “mudar e renovar” significaria a volta do modelo de uma administração petista, como a do ex-prefeito Aluísio Veloso, sabidamente uma das mais profícuas pelas quais esta cidade passou, Ronaldo disse que realmente concorda e Reginaldo lembrou que, mesmo na administração Aluísio, é preciso lembrar que foi dele o plano colocado em prática pelo ex-prefeito na área da saúde, que no seu entender, foi um grande passo neste sentido. Pena que não teve continuidade, disse.

Busca de recursos:

Ronaldo acredita que com o PT no governo estadual e PMDB também ali (vice) e na área federal, não terá dificuldades para carrear recursos para o município.

Futuro político:

Questionado sobre as razões de ele aceitar ser vice e não “cabeça de chapa”, e lembrado dos outdoors que ainda na condição de prefeito de Pains, colocara em alguns pontos desta cidade, informando sobre uma premiação por ele recebida, se isto seria prenuncia do que agora ocorre e sua aceitação de figurar na chapa como vice é uma forma de se cacifar para alçar outros voos na política (deputado estadual ou federal), Ronaldo foi claro e incisivo: “Todos nós temos sim pretensões políticas, vontade de servir a população de nossos municípios, não é Reginaldo?”.

Imprimir