Esta é a pergunta que hoje, a bem da verdade, nenhum brasileiro com o mínimo de bom senso, consegue responder, em especial quando o questionamento lhe é feito por quem, apesar de ser brasileiro, reside fora de nossas vastas fronteiras. E olhem, não são poucos os que já se mandaram daqui há mais tempo e vez por outra nos perguntam ao comentarem certas matérias por nós veiculadas: Que país é este?

Talvez por alguma intuição não muito bem explicada, eles já soubessem o que hoje aqui vivenciamos e trataram de buscar novos horizontes. Pensamos que eles, provavelmente, já soubessem que o povo daquele país gigante pela própria natureza e que não faz muito tempo se vangloriava propagando que milhares de brasileiros de repente saíram da miséria absoluta, um dia, a ela voltassem.

E mais, outros tantos por aqui, até já podiam ingressar em faculdades; que famílias e mais famílias sorriam diariamente, ao adentrarem em suas casas próprias e compravam produtos da linha branca (geladeiras, fogões e outros eletrodomésticos), tudo a juros baixos e a “prazo de égua”; isto sem falar dos que passaram a gastar menos calçados em função do quatro rodas, ainda que bem usado, mas que, finalmente, puderam adquirir, financiado em 60 meses, realizando um velho sonho. E não se esqueçam, apenas se comprometendo a pagar uma prestação bem baixinha que certamente com ela poderiam arcar já que, a patroa e as crianças uma vez na escola, estavam recebendo merenda e material escolar,  o que lhes permitia fazer jus a outra grande ajuda, vinda do tal bolsa família e bolsa gás, além das cestas básicas e outras benesses. A verdade é que em valores isto tudo representava quase 100% da tal prestação agora assumida. Portanto, “é agora ou nunca. Vamos adquirir mais este presente que ‘deus Lula’, só ele mesmo, nos concedeu”.

Foram sim, anos de ouro para um enorme contingente da população. E tudo isto minha gente, e muito mais, repetimos, conseguido em poucos anos de um governo que vindo do povo e sendo comandado por um ex-operário e alguns outros conhecidos aloprados, propagava que havia colocado (como de fato colocou) este país, no mapa do quase primeiro mundo.

Mas e hoje?

Hoje o carango não roda mais, pois o preço do combustível está pela hora da morte e segundo o papel que as financeiras andam distribuindo a rodo, via oficiais de justiça, o ‘presente de Deus’, tem que ser devolvido num prazo de 24 ou 72 horas, ou do contrário as parcelas vencidas e vincendas deverão ser liquidadas integralmente.

Hoje, o sonho da casa própria, não para todos, mas para um número razoável dos “beneficiados”, acabou naufragado, literalmente, como ocorreu não faz muito tempo com milhares de famílias na grande São Paulo.  Nos aglomerados habitacionais faltam infraestrutura, segurança, saneamento básico, creches, escolas, etc.

Hoje, quem acreditou no tal Pronatec, está aí a ver navios sem emprego. Outros milhares de estudantes dependurados no FIES estão a espera das notificações que certamente um dia chegarão em seus endereços, já que desempregado não paga conta e num pais em recessão, as chances de melhoria de vida através da renda, inexistem.

Hoje, a turma que de repente comprou TV, geladeira, e outros eletrodomésticos, em razão da alta exorbitante da tarifa de energia, em grande número já partiu para a solução tupiniquim da adoção dos ‘gatos” e agora, com as concessionárias fiscalizando e cortando os emaranhados de fiações nas periferias das cidades médias, grandes ou pequenas, muitos deles se voltam para o uso dos lampiões a querosene ou para as latinhas com pavios incandescentes a partir da reação do carbureto com água. E assim, aumenta sensivelmente o risco de incêndio nos aglomerados, etc, etc;

Hoje, esgotadas as parcelas que o auxílio desemprego ainda trazia para os combalidos bolsos de muitos daqueles que perderam o emprego formal, a fome já ronda suas casas e alguns (para não dizer muitos), por razões já expostas e ao verem a fome estampada nos rostos de seus filhos, adotam condutas pouco ortodoxas (o crescente número de assaltos, talvez, melhor explique esta observação);

Hoje, a tal da inflação já se instalou novamente por aqui e;

Hoje a saúde pública não mais nos atende; os municípios, todos, estão de ‘pires nas mãos’ a não ser o Rio de Janeiro onde, numa jogada de marketing, empreiteiros, governos do Estado e Federal e um bando de apaniguados ainda torram o dinheiro público em obras faraônicas que a exemplo daquelas que na Copa prometiam nos deixar um legado, também não representarão nada para os pobres pagantes de impostos, inclusive os das classes C e D.

E a copa nos deixou mesmo, um legado. Só que ele foi entregue aos empreiteiros e a boa parte dos governantes que se locupletaram com os bilhões ali desviados. Aqui, neste mesmo balaio, tem gente de todos os poderes!

E hoje, para concluir, até que se prove o contrário, todos nós ficamos sabendo que há muito tempo, o nosso (meu não, deles)  herói, aquele que nos enfiou goela abaixo a heroína que deveria zelar e velar para que nada disso vazasse em razão da operação denominada Lava-Jato, deixou sim de ser aquele exemplo de operário honesto, líder e defensor dos pobres. Ao que parece, endoidou de todo, a ponto de se deixar ser gravado dizendo que a cobertura dupla em que ele diz morar, não passa de um apartamentozinho padrão Minha Casa Minha Vida. Pior que isso, o cara aceitou um Ministério a ele ofertado por sua criatura, numa clara demonstração de que quando o criador depende da criatura para escapar da cadeia, isto pode ser entendido como uma tácita declaração de “mea-culpa”. Talvez a precipitada e inusitada aceitação de um cargo antes pertencente a um companheiro dele, chamado Zé Dirceu, melhor explique as exigências curriculares (quanto ao modus operandi) e as “qualidades” que devem ser inerentes dos escolhidos para ocuparem tal cadeira. Quem sabe, a sua volta de forma escancarada, para o palácio que a bem da verdade, continuou operando todo este tempo, de acordo com sua vontade e ordens, não signifique algo maior?

Sem entrar em maiores detalhes que a Justiça e a Polícia por certo esclarecerão, ainda que em parte, afirmamos que é só por isso que não conseguimos responder a intrigante pergunta: Que país é este?  Ou melhor, sabemos sim e temos a mais absoluta certeza de que a história e o tempo, um dia revelarão em detalhes, tudo. Tudo mesmo, Lula!

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