É provável meu caro leitor, que você nunca tenha pensado profundamente no significado da música de Geraldo Vandré: “Prá não dizer que não falei das flores”. O que  será que ele quis dizer quando cantou: “Vem, vamos embora que esperar não é saber, quem sabe faz a hora, não espera acontecer”?

Pois bem, seu “conselho”, nos parece, se assim for entendido e aceito, de forma bem ampla pode servir como guia para qualquer pessoa que queira ter sucesso na vida.

Certo é que quem sabe e faz acontecer na hora, não fica esperando cair do céu ou nascer na árvore; age, toma providências, ou se arrisca na busca de soluções até mesmo para resolver aquilo que possa até lhe parecer inacessível (impossível).

E esta verdade se aplica também nas ações de cunho político, pois nelas também  existe uma relação muito íntima entre o saber e o fazer. Também nesta área de atuação, quem  sabe, sente-se seguro e avança; quem não sabe, protela e acaba não atingindo seus objetivos!

A tomada de decisões, em especial dos dirigentes políticos quando se acham diante de certas situações que envolvem o interesse público, igualmente se enquadra dentro deste contexto em que o momento, a hora certa, a definição oportuna são os portadores principais do sucesso, da aceitação ou não, uma vez aplicado o contido na decisão tomada.

Exemplo disto, vivemos nestes últimos dias quando a seca que atingiu a esta região resultou numa crise hídrica, sem precedentes!

Em algumas cidades vizinhas, onde os dirigentes se valeram do que chamamos de “plano B” –  e não titubearam em se valer das premissas previstas àqueles municípios que se encontravam em “situação de emergência”, a crise instalada acabou se mostrando mais amena e seus munícipes foram menos sacrificados.

Isto foi o que aconteceu naquelas cidades em que, poços artesianos acabaram sendo requisitados pela municipalidade e o número de caminhões pipa existentes, próprios ou alugados, foi decuplicado, além é claro, das tradicionais medidas de racionamento na distribuição do escasso líquido.

Em Arcos, conforme matéria veiculada nesta mesma edição, o prefeito determinou e a Copasa acolheu a ordem, e já está devolvendo aos contribuintes tudo aquilo que lhes cobrou a maior quando, sabidamente, os hidrômetros no regime de racionamento que acabou lhes sendo imposto, marcou como consumo de água, todo o ar que as tubulações por eles fizeram passar.

Aqui em Formiga, num exemplo de alguém que mostrou que “quem sabe faz a hora e não espera acontecer”, o vereador Sidney Ferreira,  bem informado e ciente de que também aqui se incorreu no mesmo erro, protocolou na  quinta-feira (16) junto ao Saae, um documento sugerindo a adoção de medida semelhante.  Devolução, por meio de descontos, aos contribuintes, de tudo que  lhes foi indevidamente cobrado.

Neste mesmo sentido, é preciso ressaltar a saneadora providência tomada pelo prefeito Eugênio Vilela há poucos dias, quando em boa hora enviou à Câmara, emendas ao projeto de Lei que trata da cobrança da Contribuição de Iluminação Pública. Com elas, corrigiu-se erro cometido há algumas décadas, quanto ao cumprimento do que determina o artigo 150, § 4º da Lei 001/2002 (Código Tributário) ainda em vigor.

Certo é que, atitudes como estas, ainda que tomadas tardiamente, e mesmo que à primeira vista possam parecer danosas sob a ótica de quem cuida do caixa governamental, ao contrário, a médio prazo, se tornam benéficas pois, elas tem o condão de aumentar a credibilidade do agente político (governantes ou não) junto aos eleitores que, assim, se sentem melhor representados.

Parece-nos óbvio que até mesmo o caminho para se obter junto à população maior apoio no caso de se precisar de um acréscimo de arrecadação para o sustento de uma obra de maior importância, acaba sendo facilitado quando a credibilidade está em alta.

Com ela, fica mais fácil pedir dinheiro! É assim no comércio, na vida real e certamente isto também vale para a relação entre o povão e a administração pública.

A lei de mercado, embora não seja de iniciativa do Executivo e nem precisa ser aprovada pelo Legislativo é a que vale nestas horas. O povo só paga por mercadoria que lhe é entregue. Quanto ao preço, isto aí são outros quinhentos…

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