O número de municípios atendidos pela Copasa e que estão em racionamento de água passou de 14 para 25 em uma semana, em função da falta de chuvas que Minas Gerais enfrenta. Segundo o boletim da Defesa Civil do Estado, até nesta quarta-feira (11) já eram 129 municípios em estado de emergência por causa da estiagem ou da seca. Uma semana antes, eram 120 cidades nessa situação.

Esse quadro, que já seria preocupante em relação à utilização da água, foi agravado pelo rompimento das barragens de Fundão e Santarém, em Bento Rodrigues, distrito de Mariana, que inundaram de lama o rio Doce. Segundo a Copasa, pelo menos sete municípios que a empresa atende tiveram seu abastecimento afetado em função da falta de qualidade da água no rio Doce.

O secretário executivo da Defesa Civil do Estado, coronel Ronilson Edelvan de Sales Caldeira, admite que “se uma cidade solicitar caminhões-pipa em função da seca, não teria como atender rápido”. Ele explica que uma das dificuldades é burocrática. “Para atender a demanda é preciso encontrar uma empresa que queira ser contratada e forneça o caminhão-pipa. É um processo, nem sempre conseguimos atender no momento” afirma.

O coronel argumenta que nem sempre a cidade precisa da ajuda da Defesa Civil. “Muitas vezes, o município já tem seus próprios caminhões-pipa. O estado de emergência é solicitado pela administração municipal para permitir que recursos sejam remanejados para a aquisição de água”, avalia.

Em Belo Horizonte, ainda é relativamente fácil encontrar caminhões-pipa. As empresas têm pedido apenas de um a dois dias para entregar. O preço do caminhão de 10 mil litros varia entre R$ 350 e R$ 550. No interior, especialmente no entorno das cidades afetadas pelo mar de lama, já não é fácil.

O deputado estadual Iran Barbosa, que preside a Comissão Extraordinária das Águas da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, afirmou que o Estado vai precisar de mais recursos e de ajuda do governo federal para atender a demanda. “O que já era um bem valioso agora, depois da tragédia, ficou ainda mais”, disse.

“Não tem como manter o atual sistema de gestão das águas do Estado. Vamos rediscutir a responsabilidade da população e, principalmente, das empresas no que se refere a utilização da água”, concluiu.

 

 

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