Desrespeito à sinalização, excesso de velocidade, estradas com trechos em condições precárias e chuvas acima da média. Não faltam ingredientes para tornar as viagens de fim de ano uma aventura perigosa nas estradas mineiras. Desde janeiro, mais de 13 mil acidentes já foram registrados nas principais rodovias do Estado, sendo 630 com mortes, segundo levantamento da Polícia Rodoviária Federal (PRF).

Com a ativação de novos radares nas rodovias estaduais, o fator imprudência ficou mais evidente. Em um intervalo de 45 dias, os 20 principais aparelhos instalados em diversas regiões de Minas já registraram 11.640 autuações de motoristas trafegando acima da velocidade máxima permitida. Uma média de 259 flagrantes por dia ou quase 11 por hora.

Na rodovia MG-262, em Sabará, 1.643 autuações já foram registradas no período. O trecho que teve um fluxo de 810 mil veículos nos últimos 45 dias é líder no ranking de infrações em Minas. Em seguida, o radar localizado na MG-133, no município de Tabuleiro, na Zona da Mata, flagrou 1.082 veículos acima da velocidade.

Belo Horizonte aparece na terceira posição do ranking, com 922 registros no quilômetro 311 da MG-262. Na MG-30, em Nova Lima, 1.317 autuações já foram registradas nos radares instalados nos quilômetros 15 e 16.

Riscos
Os destinos preferidos dos mineiros durante as férias também guardam os caminhos mais perigosos. Apenas na BR–381, a chamada “rodovia da morte”, que liga Belo Horizonte ao Espírito Santo, 967 acidentes foram registrados nos meses de dezembro de 2015 e janeiro de 2016.

Na BR–040, que liga a capital mineira ao Rio de Janeiro, 2.525 acidentes já foram registrados durante todo ano de 2016. Desse total, mais da metade das ocorrências deixaram feridos, sendo que 96 pessoas morreram.

Concessão de rodovias é alternativa apontada por especialistas para reduzir acidentes
A revitalização completa das principais rodovias que cruzam o Estado está entre os maiores desafios para diminuir o número de acidentes na avaliação de especialistas. O feito, no entanto, só deverá sair do papel por meio de concessões à iniciativa privada.

Um exemplo é a parte da BR–381 entregue a concessão, no caminho para São Paulo, que não possui nem de longe os riscos da parte administrada pelo governo federal.

“Já no sentido contrário, rumo a Governo Valadares, a situação é muito negativa. A duplicação estava sendo feita com o próprio governo, mas como acontece em todo país, os compromissos não estão sendo cumpridos”, explica o professor de Engenharia de Transporte e Trânsito da Universidade Fumec Márcio Aguiar.

Ele destaca que há, ainda, resíduos de obras às margens da rodovia, o que torna maior o risco de acidentes. “É a rodovia da morte. Não sabemos o que vai acontecer, mas as pessoas que forem viajar devem ter atenção, evitar viagens noturnas e preparar muito bem o veículo”.

Paliativo
No Anel Rodoviário, um esforço conjunto está sendo realizado pela Polícia Rodoviária Federal e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) para tentar reduzir o número de acidentes. De janeiro a outubro, o número de acidentes na via cresceu 13,5% na comparação com o mesmo período do ano passado.

Por esse motivo, 45 placas educativas serão instaladas na BR–381, no trecho compreendido entre o quilômetro 458 (acesso à Sabará) e o quilômetro 473 (saída para Brasília).

 

Fonte: Hoje em Dia ||

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