Os que assistiram a reunião da Câmara na segunda (16) e prestaram atenção às falas dos senhores vereadores, certamente de lá saíram com a nítida impressão de que todos os componentes da chamada “base de apoio ao Executivo” deram mostras do descontentamento reinante com a forma de atuação de determinados secretários e/ou de seus assessores diretos, nestes 11 meses de governo.  Assim, a tolerância com o período de adaptação, de experiências, já era!  Este parece ter sido o recado principal.

Estranho que na grande maioria das reclamações ali ecoadas, destacaram-se as que diziam respeito ao Saae, e fizeram coro com a revolta de boa parte da população, trazida a público através das redes sociais e que agora é reforçada com as falas de vereadores do mesmo partido do diretor da autarquia, Sandrinho da Looping e Sidney Ferreira.

Prova disto foi que, praticamente todos os demais vereadores que compõem aquela Casa, também deixaram clara sua indignação. Ficou patente que os consumidores estão mesmo sendo tratados sem o devido respeito pela autarquia. As falas e os filminhos com as respostas e explicações trazidas a público pelo diretor Capitão Sousa, no entender dos que o criticam, já passaram dos limites. “Não adianta chover no molhado”, comentou um conhecido defensor do governo.

A exoneração de um funcionário que há décadas milita na autarquia, sob o pretexto de que algumas amizades dele justificavam aquele ato de nítida perseguição, ao que parece, foi a gota d’água que provocou o comportamento de boa parte dos edis, já que Sousa, ao se justificar e em companhia de seu adjunto, atribuiu à pressão de seu pretenso superior (prefeito?), a exigência que culminou com o irresponsável ato.

Sidney Ferreira pediu em público uma auditoria para que se esclareça melhor os fatos e aponte os culpados pela falta de atendimento, ou descaso no trato das reclamações do povo, que chegam à autarquia, carecedoras de solução imediata.

Marcelo Fernandes também foi bem taxativo quando lembrou que não está ali (na Câmara) para brincar de vereador e cobrou respostas oficiais para todos os questionamentos que ao longo destes meses tem encaminhado ao Executivo. Em visita à autarquia, na companhia do colega de comissão, Flávio Martins, verificou o quanto a população tem sido ali, mal tratada, ou distratada, quando se sabe que ela (a autarquia), ao contrário, existe e só se justifica se melhor atender ao público.

Sandrinho da Looping, também membro do partido presidido pelo Capitão Sousa, fez um comentário que merece sim, ser melhor analisado por quem de direito: se tivesse opção, ninguém por aqui queria ser cliente do Saae. É preciso que se melhore o atendimento por lá, em todas as áreas”, concluiu.

O não cumprimento pela Prefeitura, de prazos estabelecidos para a efetivação de compromissos simples, como a instalação de academias, que no caso dos bairros Souza e Silva e Vila Nirmatele, há 90 dias já foram entregues pelo governo do Estado ao Prefeito e até hoje, não estão disponibilizadas para o uso da população, também foi causa de reclamação veemente do vereador Piruca. Ele, no embalo, ainda lembrou ao Secretário de Obras que a Operação Tapa-buracos e a questão da Iluminação Pública (ou melhor, a falta dela) precisam ser melhor equacionados. “Tem rua intransitável, como a Abner Duarte”, disse.

Joice Alvarenga, que não faz parte da chamada base de governo, lembrou ao Sousa e a outros membros da administração que sem o homem do campo, o pessoal da cidade não sobrevive”. Ela deixou seu recado apelando para a formação de uma frente de defesa dos agricultores que sofreram sérios prejuízos quando acabaram sendo responsabilizados pela diminuição do volume de água bruta retirado do rio Formiga.

A escassez de vagas de estacionamento, a precarização da sinalização eletrônica não sincronizada e a não adoção de outras providências em favor da melhoria do controle do trânsito neste município, que já deveriam estar sendo sentidas pelos munícipes, uma vez que há algum tempo, foi contratado um especialista para cuidar desta área, foram temas da fala do vereador Sidney Ferreira que inclusive sugeriu que o município terceirize a manutenção das estradas rurais. “o munícipe quer o serviço prestado, não interessando quem o realiza”, concluiu.

Flávio Couto selou e confirmou a tese por nós levantada e estampada no título deste editorial  quando iniciou sua fala afirmando: se em quinze dias não arrumarem as estradas rurais, vou parar de dar parecer em projetos encaminhados a esta Casa. Não dá mais para ver, a qualquer chuvinha, alunos e mercadorias não podendo ser transportadas em grande parte de nossas estradas rurais”. 

Cabo Cunha que há várias legislaturas se mantém firme na defesa dos interesses coletivos, também lembrou ao público suas atuações junto ao Ministério Público quando, em passado recente (governo Moacir), durante a crise hídrica, obteve sentença judicial determinando que o Saae atendesse aos pedidos de fornecimento de água em curto espaço de tempo, sem o que, estaria sujeito ao pagamento de multa imposta pelo descumprimento da ordem. E Cunha convidou os demais vereadores para fazerem uma “visitinha” até a autarquia no decorrer desta semana, quando cobrarão, como é da obrigação deles, soluções para os problemas que afligem a população.

Conclusão:  a postura firme que, tudo indica, o Legislativo tomou em relação a algumas secretarias e agora se evidencia, poderá também se reproduzir em relação a outras áreas de governo. Se de um lado isto parece, como dito, um evidente sinal de rebelião da base governista, por outro, pode também ser encarado como uma forma mais efetiva de se praticar aquilo que de fato deve ser a principal preocupação dos que são eleitos como representantes do povo: mais que legislar, eles devem fiscalizar e cobrar do Executivo quanto a melhor, mais rápida, mais econômica e eficaz forma de atendimento aos anseios da população através da prestação dos serviços de sua atribuição.

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