Com 2.177 transplantes realizados em 2008, o Complexo MG Transplantes, da Rede Fhemig, bateu recorde no número de cirurgias e reduziu a fila de espera por uma córnea para 829 pacientes. Em relação ao ano anterior, o volume cresceu 37%. Naquele ano foram realizados 1.616. Segundo o diretor do Complexo, Charles Simão Filho, uma das metas para 2009 é aumentar em 20% o número de transplantes em relação a 2008, além de aumentar a captação de órgãos, que atualmente é de 8 por milhão de habitantes, para 10 por milhão de habitantes.
A fila de espera por um órgão ou tecido que no início de 2008 era de 4.851 caiu para 3.788. Foram realizados 1.562 transplantes de córneas, 84 de medula óssea, 25 de coração, dois de pulmão, 82 de fígado, seis de rim/pâncreas, 2 de rim/fígado e 414 de rim. A fila de rim foi reduzida de 3.461 para 2.809, já que foi feita uma reorganização e o número de transplantes cresceu significativamente em relação ao ano anterior. Minas passou de 5,7 doadores por milhão de habitantes para 8 por milhão.
?Devemos este crescimento, principalmente, à solidariedade dos familiares que, num momento de dor, autorizam a doação dos órgãos de um parente querido?, ressaltou Charles Simão. Segundo Charles Simão, para 2009, a meta é reduzir em 50% a fila de córneas. Atualmente o tempo de espera por uma córnea é de 11 meses e com o aumento no número de captações essa espera pode chegar a dois meses até o final do ano. ?O objetivo é zerar a fila, com o paciente esperando um máximo de 30 dias?, afirmou. A cada mês, cerca de cem pessoas entram na fila por uma doação de córneas.
O secretário de Estado de Saúde, Marcus Pestana, disse que, desde 2003, a Secretaria procurou priorizar o fortalecimento e a modernização do sistema estadual de transplantes. E os frutos começaram a aparecer de forma mais visível e consistente, por meio das ações de comunicação social na sensibilização da sociedade, profissionais de saúde, dos investimentos no fortalecimento do MG Transplantes e na construção de uma rede estadual de captação de doadores. ?Ainda temos muito que avançar, mas os resultados alcançados já são estimulantes?, disse.
O presidente da Fhemig, Luís Márcio Araújo Ramos, destacou a importância da doação de órgãos, que salva e melhora a qualidade de vida de centenas de pessoas. Disse ainda que a fila de espera ainda é grande e precisa ser reduzida e lembrou que a manifestação em vida de ser um doador facilita em muito a decisão da família.

Transplantadas
Marinizia Adriana dos Anjos, 39 anos, foi submetida a um transplante duplo de rim/pâncreas há cinco meses. Feliz com a qualidade de vida que adquiriu após a cirurgia, ela deseja que outras famílias tenham o mesmo ato da família que a tirou da fila de espera. ?Graças a Deus não precisei fazer hemodiálise. Hoje várias pessoas precisam ficar quatro, cinco anos a espera de um transplante?, disse aliviada a auxiliar de enfermagem.
Maria Siqueira, 65 anos, ficou sete anos a espera de um rim e há quatro meses conseguiu o transplante. ?Todas as noites eu peço a Deus que dê tudo de bom para essas pessoas que me tiraram da máquina de hemodiálise?, comentou, referindo-se à família do doador. Maria Siqueira garante que o transplante lhe garantiu mais qualidade de vida e espera que outras pessoas tenham a mesma oportunidade.

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