Na segunda-feira (29), a Polícia Federal deflagrou em Belo Horizonte a operação “Sufrágio Ostentação”, que investiga a suposta prática de irregularidades nas prestações de contas de candidatas mineiras do PSL ocorrida nas últimas eleições.
A suspeita é de que as candidatas e dirigentes do partido na época tenham burlado a regra que determina a destinação de 30% dos recursos para candidatas mulheres, desviando os valores para candidatos do sexo masculino ou para terceiros.
Uma análise, ainda que superficial e baseada nas informações apresentadas pelos partidos ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE), assim como a verificação do número de votos recebidos, em especial na última eleição municipal de 2016, mostrará que em Formiga, como em diversos outros municípios da região, independentemente da filiação partidária, são inúmeros os casos de mulheres que obtiveram um número irrisório de votos. Algumas destas, já declararam publicamente que foram cooptadas a se candidatarem, simplesmente para que determinados partidos cumprissem a exigência legal da cota feminina.
Em Formiga, algumas candidatas, filiadas aos mais variados partidos, receberam a verba prevista para a campanha e nada fizeram além de distribuir os tradicionais santinhos. Uma delas recebeu apenas 1 voto. Mas na lista com o resultado das eleições de 2016, ainda é possível verificar que algumas candidatas receberam menos de 5 votos. Sendo que uma delas foi filiada a um dos maiores partidos, este de expressão nacional, e outras, com votações que não alcançaram 3 ou 4 dezenas de votos.
Realmente esta prática é um achincalhe! Lamentável e esta operação da Polícia Federal agora iniciada, certamente levantará o tema e quem sabe, todos estes casos mereçam um exame mais aprofundado por parte das autoridades fiscalizadoras.
O artigo 350 do Código Eleitoral, que versa sobre falsidade ideológica, precisa ser respeitado.

Investigação da Polícia Federal
As investigações da Polícia Federal tiveram início há cerca de dois meses, por meio de denúncias de candidatas do PSL que informaram haver sido assediadas por integrantes do esquema. Aos agentes, as ex-candidatas informaram que a prática funcionava da seguinte maneira: cada uma recebia repasse de R$ 70 mil a R$ 80 mil, tendo a obrigatoriedade de repassar até 80% desse valor de volta ao diretório.
O delegado da Polícia Federal, Marinho Rezende informou que ainda não há como estimar o total desviado. “Não temos esses valores. Ainda estamos investigando a extensão do número de candidatos (envolvidos), material produzido e a veracidade das prestações de contas apresentadas ao TRE (Tribunal Regional Eleitoral). Vamos investigar se foram apresentadas corretamente”.
Na operação desta segunda, a PF cumpriu sete mandados de busca e apreensão, expedidos pela 26ª Zona Eleitoral de Belo Horizonte. Foram alvo dos mandados sete gráficas, sendo duas localizadas em Belo Horizonte, duas em Contagem, uma em Lagoa Santa, uma em Coronel Fabriciano e outra em Ipatinga. Há suspeitas de que elas não tenham produzido os materiais de campanha das respectivas candidatas. Além disso, a sede do PSL em Belo Horizonte também foi alvo dos agentes, que apreenderam arquivos de mídia e documentos.
Cerca de 200 candidatas estão sendo investigadas. Em quatro, os indícios são mais fortes, segundo o delegado. Com base no total de votos obtidos pelas candidatas e no total gasto durante a campanha, chegou-se a conclusão de que o custo médio de voto das candidatas chegava a R$ 300, muito acima de R$ 10, valor médio dos votos dos candidatos eleitos. Os nomes não foram revelados, mas sabe-se que são duas ex-candidatas ao cargo de deputada federal e duas a deputada estadual. Nenhuma delas foi eleita.

Fonte: com informações obtidas junto ao jornal O Tempo, em matéria de autoria de Sávio Gabriel

Imprimir

Comentários