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Averiguando denúncias recebidas sobre a falta de condições adequadas da Santa Casa de Caridade de Formiga para o atendimento de pacientes politraumatizados encaminhados pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), o jornal Nova Imprensa ouviu alguns profissionais que prestam serviço no hospital, colhendo dados e informações a respeito. Após as entrevistas, é possível concluir que na área de ortopedia, apenas os casos de média complexidade têm recebido o tratamento adequado na unidade de Saúde.

“Algumas vezes na ortopedia, o que temos feito beira a irresponsabilidade”, afirmou um médico que assim justifica a fala dele: “A falta de estrutura e a não disponibilização de uma equipe completa é o que se vê por aqui. Como podemos ser referência do Samu Regional, possuindo apenas equipes de sobreaviso?”.

Questionado sobre o que teria acontecido com as 30 vítimas do acidente ocorrido em Formiga no dia 31 de julho, quando um coletivo colidiu com um muro, se a intensidade do impacto tivesse sido maior, o médico foi mais uma vez taxativo: “graças a Deus não foi. É certo que num caso destes, de calamidade, nenhum hospital está preparado 24 horas para receber de uma só vez tantos feridos, mas, ninguém sabe o que pode ocorrer de repente, não é?”.

O entrevistado lembrou alguns casos que no entender dele não deveriam ter sido encaminhados para o atendimento na Santa Casa, mas foram por uma questão de regulação do Samu. Dentre os casos, ele citou o de um paciente de Perdigão, com fratura exposta de fêmur e tíbia, (joelho flutuante). A condição primordial para atendimento deste tipo de caso é uma equipe completa, composta por dois ortopedistas e cirurgião vascular. Em outro caso, o Samu encaminhou para o hospital local um paciente de Bambuí com fratura exposta de membro superior e lesão arterial associada. O caso evoluiu para amputação. “Não sou contra regionalizar o hospital, mas repito, é preciso que tenhamos equipes, estrutura e muito mais”.

Ouvindo a secretária de Saúde do município

Denise Mota, secretária de saúde municipal, ouvida, assim se manifestou: “Compreendo que realmente as condições de atendimento ainda não estão 100% como deveriam ser. Porém, os municípios da micro de Formiga, a Santa Casa, o Estado de Minas e o Ministério Público, estão empenhados em encontrar solução rápida para os problemas existentes, visando que a Santa Casa e a microrregião ofereçam as condições necessárias para os atendimentos e evitando assim, a transferência de pacientes para outros hospitais”.

Ouvindo a Santa Casa:

Entendendo a pertinência das denúncias recebidas, por sinal confirmadas por alguns profissionais, buscando informações da Santa Casa sobre o relatado, foi enviada a seguinte nota.

“A Política Estadual que define a Rede de Urgência e Emergência dos Hospitais que compõem a Rede de Resposta Hospitalar das Macrorregiões definidas no Plano Diretor Estadual definiu a partir de 2015, que a Santa Casa de Caridade de Formiga receberá um incentivo estadual de R$200 mil mensais para o atendimento de Porte NIVEL II de complexidade para ser a referência de uma região de saúde integrada pelos Municípios de Bambuí Córrego Danta, Córrego Fundo, Formiga, Iguatama, Medeiros, Pains, Pimenta e Tapiraí, e também para os municípios além da Microrregião citada acima. A Santa Casa de Caridade de Formiga deve disponibilizar os seguintes serviços e equipamentos médicos para uma população acima de 200 mil habitantes.

1) Plantão = para Médico Generalista, Pediatria, Cirurgião geral, ortopedia, ginecologia-obstetrícia, anestesia , enfermeiros e equipe de técnicos e auxiliares de enfermagem.
2) Plantão de Médicos alcançáveis das especialidades = Neurologia, ainda que por telemedicina de um Hospital Referência ao Acidente vascular Cerebral Nivel I da região.
3) Recursos tecnológicos.
4) UTI de Adulto.

Todas as demandas são originadas do SAMU 192 e da Central de Regulação Assistencial (SUSFácil) conforme a responsabilidade sanitária de Hospital de Nivel II.

A Santa Casa de Caridade de Formiga recebe diariamente pacientes oriundos de vários municípios do Estado por meio do SAMU e muitas vezes sem atender os critérios acima mencionados. A Secretaria Estadual de Saúde, por meio da Regional de Divinópolis, tem conhecimento desse processo que não é o imposto pela regulação e que o hospital não possui em seu quadro clínico os profissionais de cirurgia toráxica, cirurgia pediátrica, cirurgia neurológica, cirurgia vascular. Nesses casos específicos os pacientes são estabilizados na Sala Vermelha e encaminhados para outros hospitais de portes de maior complexidade.

A Santa Casa reafirma seu compromisso com as Políticas Públicas de Saúde e com a missão de prestar assistência em saúde, através de atendimento multiprofissional, visando a satisfação dos clientes, médicos e funcionários. Trabalhamos para salvar vidas!”

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