Editorial

É mais que sabido por toda a população que dentre os dez vereadores eleitos para a atual Legislatura, só uma não esteve, por meio de seu partido, coligada ou trabalhando em favor da candidatura do atual prefeito. Seu nome, Joice Alvarenga.

Todos nós sabemos também que, para se formar a composição da Mesa Diretora da Casa, elegendo como presidente uma mulher, a mais bem votada entre todos os eleitos e ainda por cima, pertencente ao partido do prefeito, PP; o apoio e a experiência política de Joice foi de inestimável valia. E ela (Joice), a única tida como sendo de fora do amplo espectro formado por nada menos que 22 partidos que, em nome da governabilidade se coligaram; agora mais uma vez, mostrou a que de fato veio, desempenhando importante papel ao evitar que a coisa piorasse, quando se manteve firme ao lado de Wilse, no episódio que culminou com o abandono, por eles justificado, de dois dos então componentes da Mesa.

Mas, apesar da rápida intervenção de Cabo Cunha  que, por razões conhecidas acudiu a colega ainda a tempo e, reconhecemos em boa hora, o andamento da Casa degringolou de vez, a partir da dúvida suscitada pelos vereadores Mauro César e Flávio Couto que, receosos de incorrerem em alguma “ilegalidade”, retiraram suas assinaturas de pareceres já exarados e com isto, inviabilizaram a tramitação de projetos que, no entender do Executivo, não podem mais esperar mais tempo, até que o imbróglio seja elucidado.

E o prefeito, como não podia deixar de ser, no dia 25 deste mês, encaminhou à presidente da Casa, um oficio cobrando explicações sobre as reais motivações que em última análise, impedem há mais de três semanas o rito usual dos projetos no Legislativo.

Educadamente, e frisando seu respeito ao Princípio da Independência e Harmonia entre os Poderes, explícito no Art. 2º, caput, da Constituição da República, Eugênio, experiente e como alguém que também tem “Mestrado em política”, a nosso ver, assim agindo, acena para os nove que formam sua base, mostrando que é chegada a hora de se soltar as pastilhas que freiam o carro Legislativo, para que este volte a rodar, se possível, a todo vapor.

O ofício, endereçado à presidente daquele Poder, nos parece haver sido, ainda que de forma dissimulada, dirigido a todos aqueles que, queiram ou não, compõem ou deveriam compor naquela Casa, a base de sustentação do atual governo e, ao optar por esta forma de comunicação oficial, seu signatário abre mão do uso mais comum na esfera política, do contato direto, o cara-a-cara, ali mesmo ou em seu gabinete o que, convenhamos, se houvesse ocorrido, provavelmente, acarretaria desajustes desnecessários e bem mais danosos ao município.

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