A fim de suprir a escassez de informações oficiais sobre assassinatos de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros (LGBT) no Brasil, o Grupo Gay da Bahia (GGB) realiza um trabalho anual de identificação e contagem de crimes contra essas pessoas. Os dados de 2009 comprovam que o ano foi um dos mais violentos e marcantes no que diz respeito aos crimes homofóbicos.
Segundo informações do relatório anual, no ano passado, 198 homossexuais foram assassinados no Brasil. O número é superior aos anos anteriores, quando foram registradas 189 mortes em 2008 e 122 em 2007. Entre as principais vítimas estão os gays. Apenas em 2009, 117 foram mortos, o que representa 59% do total de vítimas. Em seguida estão os travestis, foram 72 assassinatos, o que representa 37% dos casos e, por último, 9 lésbicas, afetadas em 4% dos casos.
Para o antropólogo e fundador do Grupo Gay Bahia (GGB), Luiz Mott, o aumento nos casos de assassinatos de LGBT é explicado por quatro fatores. Se deve primeiro ao aumento geral da violência no Brasil. O segundo fator é a falta de políticas afirmativas que garantam maior tolerância. Há também o problema da falta de investigação e punição dos culpados. Em quarto lugar está a alienação dos próprios gays e travestis que se expõem a situações de risco, explica.
De acordo com o antropólogo, a Bahia e o Paraná são os estados onde se localizam os grupos mais dinâmicos. Mesmo assim, foram nessas regiões onde se registrou o maior número de casos. Em cada uma dessas localidades, foram contabilizados 25 assassinatos, sendo que na Bahia, seguindo a características nacional, os gays estiveram entre os mais perseguidos, somando 21 vítimas, enquanto no Paraná, a maioria das vítimas foram os travestis, no total de 15 mortes.
Os dados são contabilizados anualmente há 30 anos pelo GGB. O material é amplamente divulgado para a mídia, lançado na internet e enviado para o Ministério de Justiça e para as Secretarias de Justiça de todos os Estados brasileiros. A publicação do relatório estimula maior responsabilidade por parte dos gays e travestis. Estimula também ações mais efetivas do governo estadual e federal e provoca reações de intolerância por parte dos setores mais conservadores que questionam as estatísticas e a condição de ódio dos crimes, comenta Mott.
Mesmo com esta iniciativa, o antropólogo avalia que o trabalho é insuficiente e que as ações do movimento social não estão dando conta de erradicar os crimes contra LGBT. Por este motivo, o GGB e demais grupos reivindicam ações efetivas por parte do poder público. Entre elas, está o fortalecimento do programa federal Brasil sem Homofobia, que não tem trazido grandes resultados.
Mott espera que o programa atue de modo mais direcionado e efetivo para assim contribuir com a redução dos crimes e o fim do preconceito. O governo precisa se responsabilizar pela coleta e divulgação dos crimes homofóbicos, implementar ações afirmativas estimulando as delegacias de polícia e órgãos governamentais a especificarem no registro de ocorrência a orientação sexual e o papel de gênero das vítimas. Também é preciso que seja feita uma campanha nacional com outdoors, propagandas na TV, mensagens em rádio e cartazes advertindo à comunidade LGBT para evitar situações de risco, pois ?gay vivo não dorme com o inimigo?, encerra o antropólogo.

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