No Chile foi implantado o neoliberalismo na ditadura de Pinochet. Ele inspirou o Consenso de Washington, com recomendações econômicas de: a) reforma fiscal, com menos impostos; b) estímulo à competitividade das empresas; c) abertura comercial, com redução das tarifas, para a expansão importações e exportações; d) privatização, com redução da intervenção do Estado na economia; e) redução do gasto fiscal, com demissão de servidores, terceirização, diminuição das leis trabalhistas, redução dos salários, etc.

O atual governo do Brasil, de extrema direita, defende a implantação aqui do sistema econômico chileno.

Agora, a mesma bravata pronunciada pela extrema direita, com exortação para a esquerda ir para Cuba, lhes é feita: “Vão para o Chile”, quando poderão ver o modelo econômico e as manifestações sociais. Assim, vejamos.

O Chile tem renda média e crescimento do Produto Interno Bruto, PIB, maior do que o Brasil, mas isso não mostra ter o Chile renda média social superior à do Brasil.

O Brasil tem programas sociais, como o bolsa família, o sistema único de saúde, subsídio para remédios de uso contínuo, estruturas municipais de atendimento à saúde, educação superior gratuita, etc. O Brasil está longe de ser um paraíso para os mais pobres, mas garante um mínimo para o seu povo.

Por outro lado, no Chile todos os serviços públicos foram privatizados. As contas públicas estão equilibradas. As universidades, saúde, água e energia são pagas. Planos de saúde são caríssimos. A previdência é privada, com custo arcado somente pelos trabalhadores. Os salários são baixos, metade da população ganha menos de um salário mínimo. Conta com alta concentração de renda. Tem-se alto endividamento para arcar com o pagamento de serviços públicos.

Conclui-se, ter o Chile renda social menor do que no Brasil. A falta de programas sociais e as desigualdades causaram uma insurreição social.

O Brasil não é paradigma para o mundo, mas o Chile é alardeado como um modelo econômico a ser seguido. Entretanto, hoje, o Chile necessita rever seu sistema, com a inclusão de ganhos sociais para o povo.

Logo, com olhar atualizado, o Brasil hoje está assustado com as ocorrências no Chile e as reformas, executadas de forma autoritária e sem sensibilidade social, podem gerar, no futuro, também no Brasil, uma explosão de reivindicações sociais.

No final, o discurso da extrema direita de retirada de ajudas sociais, em um Estado mínimo,  ocasionou o fortalecimento político da extrema esquerda no Chile, e, o mesmo povo a morrer sem programas sociais, é o mesmo a não se importar em perecer em manifestações contra uma polícia armada.

Felizmente, não vamos para Chile e nem para Cuba, ficamos no Brasil para construir um padrão próprio, garantidor do desenvolvimento econômico e social, com garantias mínimas para todos os cidadãos.

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