Da redação

Representantes de várias cidades que fazem parte da macrorregião de Divinópolis, entre prefeitos e secretários de Saúde e titulares de outras pastas, participaram de um encontro na tarde desta sexta-feira (11) no auditório da Universidade Aberta do Brasil (UAB), em Formiga. O objetivo foi discutir a municipalização do controle populacional canino através de ações comoa castração cirúrgica e a educação ambiental.

Os presentes ouviram as explicações da promotora de Meio Ambiente de Formiga, Luciana Imaculada de Paula, da veterinária da Prefeitura de Formiga, Fernanda Pinheiro Lima, e do diretorde Vigilância em Saúde, da cidade de Divinópolis, Gilmar  Santose tiraram dúvidas sobre os vários assuntos abordados.

Foi apresentada, por meio de slides, uma proposta de como seria feita a castração nessas cidades, por meio de um “Castramóvel” – um trailer que possui todos os equipamentos e condições para realizar a esterilização dos animais. O projeto prevê ainda, a partir do número estimado de animais existentes em cada cidade, quantos dias seriam necessários para a realização dos serviços e o valor aproximado a ser arcado pelos municípios.

A Associação Regional de Proteção Ambiental de Divinópolis (ARPA II) fará a cessão gratuita de duas unidades móveis de castração para uso compartilhado entre os municípios.

Um profissional seria designado para fazer essas castrações. A preferência seria dada para animais de rua e/ou de posse de pessoas de baixa renda.

Segundo a proposta, as esterilizações ocorreriam bimestralmente no primeiro ano, a cada três meses a partir do segundo ano de colocação do trabalho em prática;a cada quatro meses no terceiro ano e a cada seis mesesdo quarto ano em diante.

A promotora Luciana explicou sobre a população de cães e gatos na área urbana das cidades. De acordo com ela, não adianta recolher esses animais das ruas e exterminá-los ou criar um canil, pois isso iria piorar ainda mais a situação.“É péssima a decisão de criar um canil municipal, pois qualquer problema que acontecer, a responsabilidade é do município”.

De acordo com Luciana, existem vários componentes de um programa de manejo de cães. “A solução do problema é complexa e demanda o desenvolvimento de um programa de ações compartilhadas entre o Poder Público e a sociedade.

De acordo com a promotora, o movimento de castração “pegou”, mas é importante lembrar que não se pode fazer de qualquer maneira. Ela citou a importânciada lei federal 13.426/17 e da lei estadual 21970/2016, e destacou que cada município deve ter o seu programa.

“A educação ambiental é muito importante. A partir daí a população passa a ver o animal de rua com outros olhos. Há estudos que demonstram que o abusador de animais provavelmente irá cometer atos de violência contra humanos, especialmente de grupos vulneráveis, como idosos, mulheres e crianças”, disse a promotora.

Uma oficina de castração será realizada no Unifor-MG nos dias 29 e 30 de setembro para a capacitação de profissionais para a implantação e atuação no manejo populacional em cães e gatos, com aulas práticas e teóricas.

De acordo com o diretor de Vigilância em Saúde, Gilmar Santos, a proposta é fazer esse trabalho a médio e longo prazo nas microrregiões de Divinópolis e Formiga, pois o potencial reprodutivo é muito alto. “Não adianta uma cidade tentarresolver esse problema isoladamente. É importante que os municípios vizinhos andem de mãos dadas”. Ele citou como exemplo o programa de castração na cidade de Londrina, que funciona muito bem.

Estiveram presentes ao encontro representantes das cidades de Formiga, Divinópolis, Iguatama, Bambuí, Pains, Japaraíba, Córrego Fundo, Medeiros, Lagoa da Prata, Pimenta, Arcos, Cláudio, Tapiraí e Córrego Danta.

(Fotos: Paulo Coelho)

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