Ontem, num papo bem descontraído com um borracheiro amigo, descobri que o simples ato de, vez por outra, não calibrar corretamente os pneus do veículo que utilizo diariamente, pode colocar em risco a minha e a integridade de terceiros.

Isto porque, dependendo das condições da pista de rolamento, buracos – tipo de pavimento – umidade – formação de poças d’água – pista arenosa – etc, num átimo de tempo talvez estejamos envolvidos num acidente, fatal ou não, e que mais tarde estará descrito como tendo ocorrido em razão de uma derrapagem, aquaplanagem ou pela frenagem súbita ao transpormos qualquer obstáculo, ainda que de pequenas dimensões.

E é aí que mora o perigo, pois, segundo o Mané borracheiro, muito disto poderia ter sido evitado se a calibragem dos pneus estivesse correta. Pressão maior que a recomendada, ou inferior à exigida, podem sim, garantiu ele, ser a causa do escorregão para fora da curva que, felizmente, mesmo ali naquela conhecida como a “da morte”, resultou apenas na troca de alguns componentes da suspensão dianteira que, subitamente, puxou o veículo para dentro daquela valeta existente na lateral da pista de rolamento.

Calibragem correta, ainda que ela seja feita sob a forma de pressão!

Mas, porque esta baboseira num espaço, digamos nobre, como este em que semanalmente está ocupado por assuntos de maior relevância?

Simples, caro leitor. Porque foi a partir deste aprendizado de algo até simplório, que não sei bem por qual motivo, à noite, passei a pensar no que ocorreu na Câmara na segunda feira (5), em momentos distintos, mas, envolvendo assuntos similares e de interesse do município.

Num deles, procurava o Executivo, e por iniciativa daquele poder, manter com o Legislativo um diálogo franco e aberto, na tentativa de se evitar devolução de quantia substancial de recursos à Caixa Econômica Federal, por exigência do Ministério das Cidades, financiador da obra de construção dos interceptores da rede de esgoto que polui praticamente toda a extensão dos rios Formiga, Mata Cavalo e de alguns de seus tributários (vide matéria na página 3).

Para tanto, se valeu o prefeito do apoio de gente do alto escalão da Caixa e de parte de sua equipe que tratou de verificar a aplicação de uma parcela do material adquirido que acabou não sendo utilizado na tal obra.

Para ajustar tudo, foi necessário elaborar um projeto de lei autorizativa para a devolução do valor correspondente, que, diga-se de passagem, ajustadas as contas burocraticamente, retornarão ao mesmo fundo sem o que, impossível seria para o município dar prosseguimento às obras ainda não concluídas (parte abandonada pela SOEMGE em governos anteriores), o que se não ocorresse, implicaria na devolução imediata dos mais de dez milhões já aplicados na mesma. Isto, sem falarmos na possibilidade de termos que igualmente devolver todo o recurso (este obtido a fundo perdido) e já aplicado nos mais de 80% de obra concluída na construção da ETE (Estação de Tratamento de Esgoto).

Sem maiores delongas, fácil nos será compreender que o tal projeto, devidamente explicado aos vereadores, certamente merecerá da Câmara sua verificação e aprovação no regime de urgência em que por lá tramita.

Aqui, retornamos ao início destas mal traçadas linhas para, de forma ousada, afirmamos que neste episódio, o prefeito municipal certamente evitou uma derrapada que poderia custar muito caro aos cofres municipais, já que CALIBRANDO com muito cuidado a água e o fubá, sem exagerar no tempero e se valendo da transparência e da credibilidade nas informações disponibilizadas, sem maior pressão na chama, terá cozido a contento o angu e, certamente, obterá para o município o melhor resultado na operação montada para ajustar algo que, repetimos, é da responsabilidade do município, embora sabidamente gestado a partir de falhas advindas de outras administrações.

Mas, no mesmo dia, ao vetar um projeto aprovado por unanimidade no mesmo LEGISLATIVO (projeto “Fila única”), criou-se um clima estranho para que aquele poder analise o veto e possa vir a mantê-lo ou a derrubá-lo, o que lhe é garantido pela Constituição neste regime democrático.

Aqui a crítica; pois toda a pressão, a nosso ver mal CALIBRADA e exercida naquele mesmo dia na Câmara, ainda que entendida por alguns como sendo democrática, mas não muito usual, convenhamos, poderia ter sido evitada.

Se os poderes são independentes e harmônicos, voltamos à velha CALIBRAGEM para questionar: não teria sido mais fácil, para todos, se pelo diálogo se resolvesse, quem sabe através de uma emenda ou de várias se necessárias, chegar-se a um consenso? Corroborando com esta linha de pensamento, ou de sugestão, lembramos que todos os envolvidos, pelo que se depreende de falas públicas e dos pareceres encomendados, entendem que há no dito projeto, pontos importantes e que não se enquadram nas razões elencadas como justificativa do veto, ressalvado o quesito de INCONSTITUCIONALIDADE, ainda que parcial.

Houve neste caso, a nosso ver, falta de CALIBRAGEM TOTAL! Ou, talvez, pressão exacerbada!

Segunda-feira próxima, quem sabe, saibamos em que medida!

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