O carro elétrico já é realidade e no futuro o motor a combustão será peça de museu.
A mudança exige visão, obstinação, determinação e, no Brasil, tem como porta-voz da novidade, uma mulher, Gleide Souza.
Gleide Souza, aos 19 anos, iniciou seu primeiro trabalho, como estagiária de engenharia, na Cofap, no porão da rebarbação, onde operários retiravam rebarbas das peças de motor fundidas. Passados mais de 30 anos, Gleide testemunhou as adaptações da indústria automobilística, hoje é diretora da BMW no Brasil, tornou-se porta-voz do carro elétrico no país e defende a causa, tanto para o governo como para as montadoras que defendem a sobrevida do carro a combustão.
Neste contexto, o Brasil vai ter que se adaptar a este fato e o governo federal criou um programa de benefícios para o setor automotivo, chamado programa Rota 2030.
Um dos principais itens do programa é o crédito tributário de R$1,5 bilhão para as empresas investirem em pesquisa e desenvolvimento no país e com redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), de forma imediata para carros híbridos e elétricos. Também haverá menor tributação a partir de 2023 para carros a combustão que cumpram metas de eficiência energética.
O incentivo para pesquisa e desenvolvimento será concedido por meio de um abatimento de 10,2% sobre o total aplicado pelas empresas na área. Esse benefício será concedido a partir do ano que vem. A condição é que as empresas destinem pelo menos R$5 bilhões anuais a esse tipo de investimento e entreguem os números de forma auditada ao governo.
A partir de 2023, veículos a combustão terão redução no IPI de 1% a 2%, se cumprirem metas de eficiência – chamadas pelo governo de “metas-desafio”.
Além disso, será estabelecida uma “etiquetagem” para veículos comercializados no Brasil, que informarão de maneira mais clara a eficiência energética e os equipamentos de segurança instalados.
Haverá redução do IPI de 25% para uma faixa entre 7% a 20% para carros híbridos e elétricos, de acordo com o modelo. Os técnicos da indústria automobilística consideram, no entanto, que será difícil conseguir enquadrar os elétricos na alíquota mais baixa. O critério para reduzir o tributo leva em conta não só economia de combustível e emissões de poluentes, mas também o peso. Em todo o mundo, as baterias ainda representam o maior peso nesse tipo de veículo.
Apesar de o atual governo ter sido o responsável pelo lançamento do Rota 2030, muita coisa que ainda falta ser discutida ficará para o próximo governo. Trata-se de um programa longo, com um cronograma de regras em diversas frentes, que se estendem até 2030.
Uma das frentes mais importantes será definida no segundo ciclo do programa, em 2022. Trata da redução de IPI para automóveis em geral.
A iniciativa é importante para fazer a transição rumo a uma indústria automobilística à base de carros elétricos, silenciosos, não poluentes, sendo importante preparar todo o setor de produção industrial, de comércio e serviços para a adaptação a esta nova realidade.

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