Os salários no Brasil crescem a um ritmo duas vezes maior que a média mundial, mas a produtividade do brasileiro não tem acompanhado o aumento de renda. Os dados são da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que ainda alerta que o consumo tem sofrido uma expansão ainda maior que os salários, e trabalhadores estão se endividando, usando 100% de suas rendas para o consumo.
Em média, os salários no mundo aumentaram em 1,2% em 2011. Mas, nos países ricos, a renda do trabalhador caiu em 0,5% diante do desemprego, recessão e das políticas de austeridade.
No Brasil, a taxa registrada apresenta uma expansão de 2,7% no ano passado, depois de um crescimento de mais de 3% anualmente desde 2004. A taxa de 2012, apesar de mais elevada que no resto do mundo, ficou abaixo da média dos últimos anos. Em 2006, a expansão foi de 4%, contra 3,2% em 2007, 3,4% em 2008, 3,2% em 2009 e 3,8% em 2010.
Os dados mostram, porém, que a produtividade do trabalhador brasileiro não seguiu o mesmo ritmo. Enquanto a média de expansão anual dos salários foi de pouco mais de 3% nos oito anos, os ganhos de produtividade ficaram em 2,2%.
No restante do mundo, o que a OIT nota é uma tendência justamente contrária: salários estão crescendo menos que a produtividade. Ou seja, trabalhadores estão produzindo cada vez mais, mas sem um aumento de renda proporcional. Os trabalhadores estão se beneficiando menos dos frutos do trabalho enquanto os proprietários dos capitais se beneficiam mais, diz o estudo.
Se no Brasil os salários registraram um aumento, ele não foi o maior entre os emergentes. O destaque continua sendo a China, com um aumento de renda dos trabalhadores de 10% ao ano, mesmo durante a crise. Segundo a OIT, foi essa tendência que permitiu que, em pouco mais de uma década, os salários na China quase triplicaram.
Países como Uruguai, Rússia, África do Sul, Malásia e Tailândia registraram expansão na renda superior à obtida no Brasil.
Na avaliação da entidade, há uma propensão muito alta para consumir entre os beneficiados pelo aumento de salários no Brasil. Estudos mostram que assalariados gastam 100% de suas rendas, com poupanças privadas vindo apenas dos lucros feitos pela camada mais elevada da população, alertou a OIT.
Ao mesmo tempo, pelo impacto da financialização, Brasil tem experimentado uma expansão dos empréstimos e reduziu a propensão média para poupar, indicou. Isso tem sido alimentado por taxas de juros mais baixas, mantidas pelas autoridades para incentivar investimentos, apontou o informe.

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