A falta de medicamentos, de equipos (materiais necessários) e de insumos indispensáveis para o funcionamento da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Santa Casa chegou, mais uma vez, ao conhecimento do portal, por meio do vazamento de cópias de mensagens que circularam internamente no hospital, pelo aplicativo WhatsApp (foto).

Pela gravidade dos relatos, a redação do jornal entrou em contato na terça-feira (16), com o hospital, em busca de esclarecimentos sobre as denúncias.

(Fotos: Reprodução WhatsApp)

E-mail enviado pelo jornal:

Senhores:

Estamos editando matéria sobre denúncias recebidas, informando que no final de semana, 13 a 15 de agosto – o ambiente na UTI ficou tenso em razão da falta de fitas de glicemia – fentaril -equipos – antibióticos, luva estéril ou de toque, sem as quais o trabalho da fisioterapia com pacientes intubados ficou prejudicado.

Houve também denúncia de que com esta situação precária, mesmo com a possível alta de algum paciente, estaria inviabilizado o acolhimento de outro.

Gostaríamos que V.Sas. nos esclarecessem a respeito.

Gratos.

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Resposta da Santa Casa:

Resumindo:

Pela nota (resposta), fica confirmada a denúncia e o “esclarecimento público” apenas confirma o que todo mundo já sabe: o caos na saúde pública não se restringe apenas ao que, infelizmente, ocorre na UTI deste importante hospital que deveria atender milhares de cidadãos nesta macrorregião.

No entanto, pouco se esclareceu sobre o que leva uma UTI a continuar “funcionando” sem que a estrutura mínima para tal, seja garantida.

O hospital passa, atualmente, por uma grande reestruturação, inclusive administrativa, tendo contratado profissionais de reconhecida competência, exatamente para corrigir falhas desta natureza.

Recursos existem, seu direcionamento é falho:

Ultimamente o jornal tem noticiado milhares de reais aportados aos hospitais, inclusive à Santa Casa, recursos estes vindos dos governos estadual e federal.

Porém, é preciso esclarecer que tais recursos são vinculados, em sua maioria, a projetos de aquisição de equipamentos ou de melhorias de instalações que ainda exigem a complementação por meio de recursos da própria entidade, para a devida aplicação a que se destina.

Veja como funciona:

O recurso chega por meio da indicação de um deputado, para a compra de um veículo, mas ainda que este seja entregue, jamais atenderá à clientela a que se destina, pois o hospital não disporá de recursos para abastecê-lo, mantê-lo ou remunerar um motorista.

Na área municipal, não é muito diferente: talvez, agora se entenda com mais facilidade os motivos pelos quais um moderníssimo aparelho de raio-x, há mais de ano, permaneça encaixotado no hall de entrada do Pronto Atendimento Municipal (PAM) hoje instalado no prédio que deveria abrigar uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), enquanto usuários ficam dias e até meses sentindo dores e correndo riscos maiores, enquanto esperam pela liberação de guia e veículo para conseguirem uma chapa, muitas vezes em outros hospitais da região.

Constatando a realidade:

Enquanto isto, a ‘ambulanciotepia’ funciona a todo vapor e vidas vão se perdendo pelas rodovias do Estado e a cidade vai ansiosamente aguardando o início do funcionamento do Samu. Pergunta-se: ao invés de se investir milhares de reais num serviço que, como visto, se vier a funcionar não poderá sequer contar com a UTI para atender a futuros pacientes, não seria mais prudente, primeiro, colocá-la em condições no mínimo condizentes, com sua importância como peça fundamental para o salvamento de vidas?

Opinião desta editoria:

Que nossos políticos, prefeitos desta e das demais cidades que dependem umbilicalmente da Santa Casa de Formiga, cobrem dos deputados (donos virtuais das verbas estaduais e federais) que os repasses aqui cheguem de forma a atenderem, de fato, aos interesses da população, não as dos fabricantes de equipamentos, veículos e de outras “quinquilharias” que são adquiridas, mesmo sabendo que elas nunca serão eficazes caso entrem em funcionamento.

Raio x, mamógrafos, desfibriladores, aparelhos de ultrassonografia e tantos outros, são sim de grande importância, mas precisam ser mantidos e operados por gente competente e com remuneração digna.

O resto, ou melhor, como a coisa hoje é conduzida é apenas mais uma forma de enganar o povo, fazendo politicagem vil e barata, tendo em vista apenas as eleições.

 

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