O Ministério da Saúde informou nesta terça-feira (24) que já foram notificados 520 casos suspeitos de microcefalia, identificados em 160 cidades de nove estados. A principal hipótese para o surto continua sendo o contágio por zika vírus – identificado no Brasil pela primeira vez em abril. A microcefalia faz com que o bebê nasça com o crânio menor do que o normal.

 O maior número de ocorrências ocorreu em Pernambuco – 268. Em seguida vêm Paraíba (96), Sergipe (54), Rio Grande do Norte (47), Piauí (27), Alagoas (10), Ceará (9), Bahia (8) e Goiás (1). Há uma morte sendo investigada. Até o dia 16 de novembro, quando foi divulgado o último boletim, havia 399 casos, em sete estados.

O aumento dos casos de microcefalia e a hipótese de uma relação com o vírus foram comunicados “verbalmente” à diretora da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS/ONU), Carissa Etienne, na semana passada. O zika é transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, assim como a dengue e o chikungunya.

“Todos os cientistas que tivemos contato até agora atribuem o surto de microcefalia, por enquanto circunscrito ao Nordeste, principalmente no estado de Pernambuco, ao zika vírus”, declarou. “Estamos com o problema potencializado. Além da dengue, que mata, além da chikungunya, que aleija temporariamente, temos o zika vírus, que aparentemente causa a microcefalia. [É] um problema de dimensões muito grandes que temos que enfrentar”, disse o ministro Marcelo Castro.

microcefalia

 Contra o mosquito

Até o momento, não há nenhum tipo de tratamento disponível para a fase aguda da infecção por zika vírus, que dura cerca de três dias. O Ministério da Saúde orienta que grávidas ou mulheres que pretendem engravidar tenham “cuidado redobrado” para evitar infecções virais.

Os principais sintomas são febre baixa e manchas pelo corpo (exantema). Caso a relação do vírus com a anomalia na gravidez seja confirmada, o ministério afirma que vai “trabalhar ainda mais na prevenção e no combate ao mosquito transmissor”.

O ministro Marcelo Castro diz considerar diversas possibilidades para o combate à doença, que variam entre pôr telas com inseticidas em casas a inserir mosquitos transgênicos no meio ambiente.

Dengue

Levantamento Rápido de Índices para Aedes Aegypti apontou que 199 cidades do Brasil têm risco para a dengue. Apenas 1 das 18 capitais analisadas pelo Ministério da Saúde se incluem no grupo: Rio Branco. Outras sete estão em alerta (Aracaju, Recife, São Luís, Rio de Janeiro, Cuiabá, Belém e Porto Velho).

 Dez capitais tiveram indíce satisfatório (Boa Vista, Palmas, Fortaleza, João Pessoa, Teresina, Belo Horizonte, São Paulo, Brasília, Campo Grande e Curitiba) e nove não encaminharam informações a respeito (Macapá, Manaus, Maceió, Natal, Salvador, Vitória, Goiânia, Florianópolis e Porto Alegre).

De acordo com o Ministério da Saúde, foram registrados 1,5 milhão de casos da doença até o dia 14 de novembro. O aumento é de 176% em relação ao mesmo período do ano passado, quando houve 555,4 mil ocorrências. O número de mortes cresceu 79% no período, passando de 453 para 811.

Goiás registrou proporcionalmente a maior incidência da doença, com 2.314 casos por 100 mil habitantes. Depois, vieram São Paulo — 1.615 casos por 100 mil habitantes – e Pernambuco – 901 casos por 100 mil habitantes.

No mesmo período, foram contabilizados 17.146 casos suspeitos de febre chikungunya (6.726 confirmados). Em 2014, foram notificadas 3.657 ocorrências suspeitas da doença.

 

A nova campanha contra o vetor dos vírus tem como slogan “Sábado da faxina. Não dê folga para o mosquito da dengue”. O material diz ainda que “Se o mosquito da dengue pode matar, ele não pode nascer”. As peças serão veiculadas na televisão, rádio, internet e redes sociais. “Em 15 minutos, é possível fazer uma vistoria nas casas e eliminar os locais que podem se transformar em criadouros do Aedes aegypti”, afirma o ministério.

G1

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