O problema de abastecimento de água em Formiga ainda não está resolvido. Em entrevista na quarta-feira (7), o diretor do Sistema Autônomo de Água e Esgoto (Saae), Ney Araújo, explicou a situação atual e o que está sendo feito para impedir uma nova situação de emergência como a que ocorreu no mês de setembro, quando foi necessário racionar água.
Com as chuvas das últimas semanas, a captação de água na barragem do Saae e nos poços artesianos, incluindo aquele aberto no bairro Jardim das Acácias durante o período de crise, praticamente, controlou a situação, mas o problema não está descartado para este ano. Mesmo com o desenvolvimento de ações preventivas, o diretor do Saae, pontua que pelo menos dois fatores podem trazer de volta o caos gerado pela falta d?água: o clima e a falta de conscientização em economizar por parte da população. ?A previsão é de que chova menos esse ano que em 2014 e diminuindo um pouco a vasão da barragem podemos ter problemas. Além disso, a população voltou a gastar água como antes e juntando esse fator à falta de chuva, é certo que teremos problemas?, comentou o diretor da autarquia.
De acordo com dados do Saae, antes da crise de abastecimento, a média de gasto diário de água na cidade era de 307 litros por pessoa. Após as campanhas de conscientização e os problemas havidos com a falta d?água, o consumo chegou a 110 litros por pessoa, quantidade indicada como suficiente pela Organização Mundial da Saúde (OMS). ?Hoje o consumo voltou a subir e a população retomou a lavagem de carros, calçadas, passeios, tudo com água tratada. É tempo das pessoas entenderem que não se trata água para esses fins. O Saae fará a parte que lhe cabe, mas a população precisa colaborar?.

Ações preventivas
?Estamos realizando ações preventivas. No dia 19 de dezembro chegaram todos os equipamentos necessários para colocar os poços artesianos da zona urbana em funcionamento, o que deve ocorrer até meados de fevereiro. No caso da zona rural, deve demorar um pouco mais, mas os serviços já começaram na comunidade de Fivela?, explicou Ney Araújo.
Um poço desativado há mais de 10 anos, localizado na Vila Carmelita (entre os bairros Lajinha e Nossa Senhora de Lourdes) também deverá ser colocado em funcionamento em breve. A água já foi testada e está própria para o consumo, garantiu o diretor.
A médio e longo prazos, a autarquia também está firmando parcerias para reflorestar toda a margem do Rio Formiga. Ministério Público, Polícia Militar de Meio Ambiente, Unifor-MG, Sindicato Rural, Associação dos Produtores de Hortifruti, Emater e Secretaria de Meio Ambiente farão parte dessa proposta. A primeira reunião para organizar o processo de reflorestamento deve ocorrer nos próximos dias.
Reuniões também serão realizadas com o Ministério Público em fevereiro, para que produtores rurais apenas recebam a outorga para uso de água nas lavouras apenas se tiverem hidrômetro. ?Ano passado, o que agravou a crise foi o uso excessivo de água nas lavouras. Muitos produtores tinham autorização para consumir uma quantidade determinada de água e sem o hidrômetro poderiam usar 10 vezes mais?, disse Ney, que acredita que esta seja uma das ações mais importantes para a manutenção do abastecimento de água.
Além dos hidrômetros das lavouras, outros 3 mil deverão ser instalados na cidade. Atualmente, há em Formiga 6.900 residências que ainda não possuem o aparelho.

Campanha de conscientização x fiscalização
Na próxima semana, deverão ter início ações de conscientização sobre o uso da água, as quais deverão ocorrer até o dia 21 de janeiro. O objetivo é mais uma vez, buscar apoio da população para que economize água. Após esse período, as fiscalizações serão retomadas com força total, e o desperdício voltará a ser passivo de notificações e multa. ?Não temos intenção de multar ninguém, mas se é a ação que dá resultado para evitar o gasto indevido e ensinar a população a economizar, precisamos fazer?, encerrou o diretor do Saae.

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