Amantes da natureza, da prática de esportes radicais e moradores do entorno da serra da Moeda, situada na Grande Belo Horizonte e região Central do Estado, prometem se mobilizar no próximo dia 21 em prol da preservação dessa área verde.
Vestindo roupas brancas e com balões da mesma cor, os manifestantes deverão se concentrar às 11h no espaço conhecido como Topo do Mundo, próximo à BR-040. O receio é a ampliação da atividade mineradora e uma possível degradação das montanhas e vales.
A Ferrous Resources do Brasil, que tem um ano de funcionamento, já promoveu uma reunião com moradores de um condomínio da região para apresentar seu interesse.
Ontem, a reportagem procurou a mineradora para repercutir o temor das pessoas que moram ou freqüentam a região. Em nota, a empresa confirmou que está iniciando pesquisas geológicas no local com o objetivo de identificar a viabilidade para desenvolver atividades mineradoras.
A empresa ainda afirmou que compartilha com a comunidade das preocupações de preservação. Segundo o informe, haverá um canal aberto e permanente de diálogo. O temor dos moradores procede. Sabemos que algumas empresas não têm um plano estratégico de desenvolvimento que considere a proteção da biodiversidade. A serra tem grande importância em termos arqueológicos, históricos e a própria vegetação característica de campos ferruginosos, disse o biólogo e membro do conselho consultivo da Associação Mineira de Defesa do Ambiente (Amda), Francisco Mourão.
O especialista ponderou que os órgãos ambientais envolvidos precisam verificar as relações de custo e benefício antes da concessão do licenciamento ambiental. Existem ações de extrativismo que interferem no lençol freático. Isso tem que ser pesado na balança, ponderou. Segundo uma das lideranças da mobilização e presidente do Clube de Vôo Livre de Belo Horizonte, Elisa Vignolo, é possível identificar mais de 20 nascentes ao longo da cordilheira.
A atividade de mineração implica no rebaixamento do lençol e isso pode levar à extinção dessas nascentes, explicou. A entidade que ela representa possui 200 pilotos ativos e pelo menos 50 devem participar do protesto no feriado.
Por meio da assessoria do Sistema Estadual de Meio Ambiente (Sisema) foi possível confirmar que a Ferrous comprou a Empresa de Mineração Esperança S.A (Emesa) e a TMC-Mineração Vista Alegre/TMC – Cia Mineração Tocantins. Em nome dessas duas já corriam pelo menos seis processos que estão sob análise técnica. Entre eles, está a extração de minério de ferro em Brumadinho, um dos municípios onde fica a serra.

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