Servidores públicos do município realizaram na manhã desta sexta-feira (9), uma passeata para manifestar contra o atraso dos salários referentes ao mês de dezembro.
Cerca de 200 pessoas caminharam pelas ruas centrais da cidade, partindo da praça Ferreira Pires, indo em direção ao prédio da Prefeitura. Pelo caminho e em frente à sede do poder Executivo, os manifestantes, munidos de apitos e com camisetas pretas, gritavam palavras de ordem e por muitas vezes pediram pela saída do atual prefeito, Moacir Ribeiro, que está ausente da cidade, segundo informou a administração, em gozo de férias.
Buscando uma nova oportunidade de negociar com a administração, os servidores foram em direção ao estacionamento para entrarem no prédio, mas encontraram os portões trancados a cadeado. Com o pedido do presidente do sindicato, Natanael Alves, para a abertura do portão, um servidor informou que seria autorizada apenas a presença de Natanael, acompanhado por dois policiais militares. O presidente do sindicato se ofendeu e não aceitou a proposta e após novas conversas, a entrada de todos os manifestantes foi permitida, porém na antessala do Gabinete, a pedido da administração, ficaram quatro policiais militares.
Mais uma vez, Natanael e servidores representando diferentes secretarias, foram atendidos no Gabinete Municipal por José Terra de Oliveira Júnior (Terrinha), que repetiu a informação de que não há possibilidade de pagamentos dos servidores antes do dia 14. ?Pode ser que a gente consiga depositar os salários após a uma hora da tarde do dia 13, mas pode ser. Certo mesmo é que o pagamento de todos os servidores caia no dia 14?, disse Terrinha.
Os servidores aproveitaram a oportunidade para falar sobre a possibilidade de aumento real nos vencimentos para este ano; que segundo Terrinha não deve ocorrer, mais uma vez, por causa da não aprovação da nova Planta de Valores Imobiliários. Reclamarem ainda, dos processos seletivos realizados que incham ainda mais a máquina pública, dificultando o pagamento dos salários. ?Nós somos cerca de 1400 concursados, somos prioridade, se continuarem contratando e gastando com cargos de confiança, é claro que esses atrasos vão se repetir?, comentou uma servidora da Gestão Ambiental.
Sobre este assunto, Terrinha explicou que desde o dia 5 deste mês, uma comissão está trabalhando para avaliar a necessidade de vários cargos hoje existentes na estrutura administrativa. ?Precisamos fazer cortes no número de servidores com urgência e essa comissão vai nos apontar onde fazê-los?, disse o secretário de Administração e Gestão de Pessoas que também responde, interinamente pela chefia de Gabinete.
Questionado ainda sobre a constante ausência do vice-prefeito Eduardo Brás Neto Almeida, mesmo em momentos conturbados como este, e quando o prefeito também está ausente, Terrinha explicou que dentro do que diz a lei, Moacir só pode ser substituído por Eduardo após 10 dias de ausência. ?O Eduardo não faz parte da administração e todo mundo sabe como é o relacionamento do vice- prefeito com a administração?, disse.
O portal tentou contato com o vice-prefeito por telefone, para falar sobre o problema, mas não obteve êxito.
Sobre questões relacionadas às verbas vinculadas do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), que custeiam os salários de profissionais da Educação, José Terra afirmou que está buscando orientações para saber se é possível usar esses recursos e já pagar os funcionários dessa pasta na segunda-feira (12), mas teme que não seja legal quitar os salários apenas de parte dos servidores.
Após cerca de uma hora de conversa, a situação se manteve a mesma e na próxima segunda-feira, passadas as 72 horas previstas em lei para o aviso de greve, todo o funcionalismo público de Formiga suspenderá as atividades até que os salários sejam pagos.

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