O Brasil deve receber R$1,1 trilhão em investimentos do setor privado entre 2019 e 2022, com aplicação direta de 19 segmentos da economia. O estudo foi feito pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) com base em levantamentos feitos até setembro. O montante é 2,7% superior ao apurado pelo banco no ano passado, que considerava o quadriênio 2018/2021. A maior parte dos investimentos que chegam ao país vem de grandes grupos internacionais, com destaque para os chineses, que aportarão R$ 141,2 bilhões na economia brasileira no período. O maior deles será feito pela State Grid, especializada em fornecimento de energia elétrica.

A reportagem de O Tempo rastreou pelo menos R$766 bilhões desses investimentos no país, alguns deles indo até 2024. Parte desses aportes já está em curso, como o da Fiat em Betim, que somam R$8,5 bilhões. Em Minas, nos próximos quatro anos, pelo menos R$ 10,2 bilhões estão confirmados. Nesta quarta-feira (9), por exemplo, a RHI Magnesita anunciou que irá investir, até o fim de 2019, R$257 milhões para ampliar suas atividades na unidade de Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte.

A Mercedes-Benz, que investirá R$ 2,4 bilhões até 2022, também traz parte dos recursos para o Estado. Uma quantia não especificada será investida na modernização da fábrica da montadora em Juiz de Fora, na região da Zona da Mata. Além disso, 58% desse valor será usado para o desenvolvimento do primeiro caminhão digital do Brasil, chamado Actros, que deve ser comercializado a partir de 2020 no país.

Recorde

O aporte da Fiat, anunciado no fim de maio, foi o maior registrado por um único projeto industrial na história de Minas Gerais, de acordo com a Agência de Promoção de Investimento e Comércio Exterior de Minas Gerais (Indi). Na época, a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) informou que a montadora quebrou o próprio recorde, superando o valor que havia implantado em 1976. Considerando todo o investimento da Fiat, serão gerados 9.200 empregos, entre diretos e indiretos, até 2024.

No dia do anúncio, 26 de maio, o CEO mundial da Fiat, Mike Manley, esteve na cerimônia e afirmou que a unidade de Betim se tornou o maior polo produtor de motores e transmissões da América Latina. “Fiz questão de visitar o Brasil neste momento para reforçar nossa confiança na agenda das reformas e confirmar os investimentos adicionais em Betim”, disse o executivo no evento.

RHI Magnesita anuncia R$257 mi

Com o objetivo de aumentar em 14% sua produção em Minas, a RHI Magnesita informou nesta quarta-feira que investirá R$ 257 milhões na expansão e na modernização de seu complexo em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte. A empresa vai gerar 470 empregos diretos com as obras em seu parque industrial e ainda quer construir um novo escritório no município, com capacidade para abrigar mais 600 funcionários. A nova planta terá 15 mil m².

De acordo com o presidente da empresa na América do Sul, Francisco Carrara, os aportes visam preparar as operações para o futuro, principalmente pensando na chegada da indústria 4.0. O executivo afirma que há planos para adequar a operação da Magnesita à nova tecnologia 5G, mas ainda não há prazo para que isso aconteça. Ele explicou que o projeto deve se basear em outros que a multinacional já implementa na Europa.

Contudo, novos processos de automação devem ser implementados na planta já em 2019. Além disso, Carrara disse que há “vários outros” investimentos em avaliação e que novos projetos podem surgir com a ampliação da planta. “Nossas operações no Brasil são muito importantes e representam 75% da atividade da Magnesita no continente. Acreditamos no mercado brasileiro”, afirmou.

Energia solar tem grandes projetos

Um novo empreendimento de energia solar deve chegar a Minas até o fim do ano. Depois de a Cemig anunciar parceria com a Mori, na última segunda feira, com investimento de R$ 600 milhões para construção de usinas fotovoltaicas, a Alsol Energias Renováveis, que faz parte do grupo Energisa, divulgou nesta quarta-feira que vai trazer R$ 300 milhões em aportes para o Estado.

De acordo com a empresa, três grandes fazendas solares serão construídas até o fim deste ano, com capacidade de 75 MW. O projeto, feito em parceria com a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), pretende diminuir os gastos com energia de empresas filiadas à Fiemg.

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Fonte:

O Tempo