Após a realização da audiência pública, na segunda-feira (28), ficou definido que as siderúrgicas denunciadas pela população em Divinópolis, por causa da poluição, terão 45 dias para enviar relatório à Comissão de Participação Popular da Câmara Municipal informando o que é feito para minimizar a emissão dos poluentes no ar.

De acordo com a assessoria de comunicação do vereador Roger Viegas, presidente da Comissão, durante a audiência, que durou cerca de duas horas, representantes das siderúrgicas informaram que todos os filtros estão ligados e que são feitas manutenções periodicamente.

O vereador solicitou aos representantes que enviassem estes relatórios e ainda definiu que, juntamente com a Comissão de Saúde da Câmara e engenheiros responsáveis, irão fazer visitas as siderúrgicas, ainda sem data definida.

Representantes da Superintendência Regional de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Supram) de Divinópolis e da Secretaria de Planejamento Urbano e Meio Ambiente (Seplam) não compareceram. A Supram alegou que atende mais de 60 cidades na região e conta apenas com quatro fiscais e não teriam disponibilidade para participar da audiência.

Em contato com o portal G1, o secretário municipal de Meio Ambiente, Clever Greco informou que não participou da audiência pública porque tinha outro compromisso no mesmo horário. Segundo ele, Divinópolis já teve mais de 20 siderúrgicas em funcionamento e hoje são seis. “A fiscalização é responsabilidade do estado. Não fui notificado antes, mas a partir desta semana vamos oberservar e avaliar individualmente cada siderúrgica e se constatarmos algo, vamos provocar a Supram a fiscalizar”.

Denúncias

O morador do bairro Nossa Senhora das Graças, Randal Wender conta que nos últimos 15 dias tirou cerca de 400 fotos e a poluição aumentou consideravelmente. “Quando o bairro começou a crescer a Gerdau já estava lá e a situação não era assim. Além do pó solto pelas chaminés, há também muito barulho a noite das máquinas. A Gerdau já soltou uma nota dizendo que os equipamentos estão com os filtros necessários, porém não está sendo suficiente para conter a poluição”, disse.

Representando a Associação de moradores do bairro Porto Velho, José Onésio disse que a reclamação dos moradores a respeito da empresa Gerdau é constante há anos, o pó do grafite é um dos mais prejudiciais para a saúde de quem mora naquela região. “Já fizemos várias reuniões e audiências públicas e nunca resolveu nada, devido às reclamações serem direcionadas a empresas privadas e no fim são apenas aplicadas multas”, frisou.

A empresa informou que possui dez despoeiramentos e que capta o pó e o dissolve em micropartículas, além de monitorar os 16 pontos fixos que fazem emissão da fumaça.

Moradora do Bairro Icaraí, Jéssica Milagre Couto contou que a situação é insuportável diariamente. “Inclusive na hora do almoço, estamos comendo e o pó caindo em cima da comida. O meu irmão tem bronquite, o meu pai tem problemas respiratórios e ambos têm dificuldade de dormir, além da casa não ficar limpa com o pó e o tempo seco. A noite a situação piora e a fumaça é ainda grossa e intensa. Tenho vídeos da fumaça caindo, e com a siderúrgica que havia lá anteriormente não ocorria este tipo de poluição tão visível”, contou.

A Fergosul, situada no Bairro Icaraí, informou que estes problemas são recorrentes neste ramo de siderurgia e que já foram investidos mais de R$1 milhão em equipamentos para melhorar a manutenção, além de disponibilizar dois caminhões pipa para os bairros.

 

 

Fonte: G1 ||

print

Comentários