A jogadora de futebol Marta Vieira da Silva, embaixadora das Nações Unidas da Boa Vontade de Mulheres e Meninas no esporte, participou nessa terça-feira (19), de uma cerimônia organizada pelo Comitê Olímpico Internacional (COI), que premia entidades e pessoas que contribuem em favor das mulheres na luta pela igualdade de gênero no esporte.

Para Marta o esporte é uma ferramenta eficiente para conquistar a igualdade de gênero.  “O esporte é uma ferramenta muito poderosa para alcançar a igualdade de gênero”, disse a jogadora. “No Brasil, meninas que passaram pelo programa One Win Leads Another, um programa conjunto entre a Organização das Nações Unidas (ONU) Mulheres e o COI, transformaram suas vidas e mudaram a realidade em torno delas. Temos histórias de meninas que completaram o programa e agora estão jogando em equipes profissionais”.

Eleita seis vezes a melhor jogadora de futebol do mundo, Marta é uma das quatro embaixadoras do esporte na ONU em defesa da igualdade de gênero. Ela foi aplaudida pelos presentes. “Estamos globalmente comprometidos em alcançar a igualdade de gênero até 2030. Há muito a ser feito em tão pouco tempo”, afirmou a atleta.

Emocionada, Marta lembrou no seu discurso a origem humilde, em uma cidade com 11 mil habitantes, em Alagoas, e as dificuldades pelas quais passou. Ela ressaltou que a discriminação e a ausência de chances a incomodaram.

“Preconceito e falta de oportunidades me magoaram muitas vezes ao longo do caminho. Doeu quando os meninos não me deixaram jogar, doeu quando treinadores adultos de times adversários me tiraram de campeonatos porque eu era uma menina”, disse.

Marta é uma das cinco embaixadoras da ONU Mulheres, a única ligada ao esporte. Frequentemente, a craque brasileira participa de ações da organização que visam desenvolver o esporte para meninas com dificuldades de acesso a cultura, educação e saúde ao redor do mundo.

“Me sinto privilegiada por fazer parte desse projeto da ONU, me tornar embaixadora da ONU Mulheres e não só levar essa causa das mulheres brasileiras, mas também do mundo inteiro e usar o esporte para que a gente possa combater a desigualdade. E sem agredir, só usando meu trabalho, minha história, minha superação para que eu possa inspirar essas meninas. Quando se tem uma mensagem positiva, ela tem que ser multiplicada cada vez mais”, disse a craque em entrevista ao Globo Esporte.

A camisa 10 da seleção brasileira reconhece e reitera que a luta ainda é longa. Por igualdade de condições, estrutura, reconhecimento, visibilidade. Admite que ela ainda é um caso raro de sucesso no esporte feminino do Brasil. E por isso quer ter voz.

As opções são muito menores do que no esporte masculino, principalmente a parte financeira. O abismo que é o lado financeiro de uma carreira masculina pra uma carreira feminina existe. Então são várias fases que a gente tem que combater constantemente, o preconceito, até assédio sexual, para seguir em frente e realizar o sonho da sua família e ter uma situação financeira boa. “São tantas batalhas que a gente tem que fazer e vencer constantemente, então é por isso que eu estou aqui, porque não é só sobre vencer, é mostrar que a gente pode mudar e fazer com que as próximas gerações de meninas tenham condições melhores em uma carreira profissional, em todos os sentidos”.

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Fonte:

Agência Brasil/ G1