Várias pessoas passam em média dez horas em frente ao computador. O saldo parece alto, já que cada vez mais os adultos dependem dessa tecnologia para realizar as tarefas diárias. O lado ruim é que isso tem aumentado o número de pessoas com a chamada síndrome da visão do computador.
De acordo com o Instituto Nacional de Saúde e Segurança Ocupacional dos Estados Unidos, os sintomas da doença atingem cerca de 90% das pessoas que passam mais de três horas diante do computador por dia. E essa realidade já pode ser percebida entre os brasileiros.
Segundo o oftalmologista Ricardo Guimarães, diretor do Hospital de Olhos Ricardo Guimarães, é cada vez maior o número de vítimas dessa síndrome. Ele mesmo já diagnosticou vários casos. O problema é muito frequente e vem sendo descrito há mais de 20 anos, ressalta.
Alguns dos sintomas são olhos irritados e ressecados, coceiras nos olhos, dificuldade de se conseguir foco e dor de cabeça, dentre outros. Entretanto, segundo o especialista, não é fácil chegar à conclusão de que o paciente está com esse problema. Os sintomas são muito parecidos com os de outras doenças. Aí, só um exame mais detalhado e uma entrevista aprofundada podem determinar se é a síndrome mesmo, explica.
De acordo com o oftalmologista e professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Joel Boteon, a principal causa da doença é o ressecamento dos olhos. O usuário do computador pisca pouco. Rotineiramente, piscamos 18 vezes por minuto para renovar a lágrima, limpar a visão e não deixar (a vista) embaçada. Mas quando estamos diante de uma tela, diminuímos muito o número de piscadas, explica.
O ressecamento da visão não é o único prejuízo que a exposição ao computador pode trazer à visão. A permanência prolongada no chamado ambiente virtual é a uma das principais causas de estresse visual, afirma Guimarães. Ele explica que, quando os olhos estão voltados para uma tela – seja de televisão, de celular, ou de computador -, o cérebro fica confuso porque as imagens passam muito rapidamente e em diferentes proporções. Por essa razão, o organismo não consegue fazer os ajustes de foco e coordenação na mesma velocidade dos movimentos.

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